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Fonte: O Estado de S. Paulo

O otimismo do diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, contrasta com o pessimismo do diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol.
Em novo relatório da AIE, Birol afirma que “os próximos seis meses serão muito difíceis” para o setor de petróleo. “Será como dirigir na tempestade”, comparou, avaliando que o crescimento neste ano de 53% dos investimentos em gás de xisto nos EUA gera dúvidas sobre a eficácia do corte de oferta feito pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), para barrar a queda dos preços do óleo no mundo.
Em conversa com a coluna, Oddone elegeu 2017 como o ano que marca “a maior mudança da história do petróleo brasileiro desde 1954” – quando Getúlio Vargas criou a Petrobrás e a ela entregou o monopólio.
É certo que Birol fala de preços praticados no presente e nos meses próximos – pior para a indústria mundial, que vende para entrega imediata, mas também para quem investe. Já Oddone enxerga o futuro dos investimentos em exploração e produção, que vão ocorrer aqui entre 2017 e 2019 e que só começarão a enfrentar os preços de venda a partir de 2020. Um fala do presente; outro, do futuro; mas ambos do mesmo personagem – a indústria, que precisa acumular capital no presente para investir no Brasil também no presente.
A favor do entusiasmo de Oddone estão a queda no custo de produção, a rentabilidade e a qualidade do petróleo do pré-sal que o Brasil ofertará em nove rodadas programadas até 2019, duas delas marcadas para 27 de outubro deste ano. Em recente congresso em Istambul, o presidente da gigante francesa Total, Patrick Pouyanne, chegou a dizer para os investidores do mundo inteiro que “os campos em águas profundas no Brasil podem ser tão lucrativos quanto o gás de xisto”, incentivando os duvidosos a escolherem o nosso país.
Porém, ao marcar 2017 como o ano histórico de mudança desde 1954, o diretor da ANP desconsidera o boom de novos negócios no Brasil a partir de 1997, com o fim do monopólio da Petrobrás. Na época, dezenas de empresas desembarcaram aqui, gerando bilhões de reais em investimentos e milhares de empregos. A El Paso, do Texas, a maior dos EUA, comprou um prédio inteiro de 12 andares no Rio de Janeiro. Foi quando a produção de petróleo e gás começou a disparar de 900 mil barris/dia, em 1997, para 2,5 milhões na média neste ano.
Foi tudo por água abaixo, empresas saindo do País, perdas incalculáveis de empregos e nenhum investimento em exploração nos arrastados cinco anos, entre 2008 e 2013, que a ex-presidente Dilma levou para conceber a desastrada regulação da exploração do petróleo do pré-sal, que afastou investidores, não gerou riqueza nem empregos e ainda ajudou a mergulhar a Petrobrás na maior crise financeira e de endividamento de sua história.
Mas o otimismo de Décio Oddone procede. A lei destrambelhada de Dilma mudou, a Petrobrás não é mais obrigada a investir no mínimo 30% em cada poço e foram atenuadas as exigências de contratação de fornecedores no Brasil. Com isso começam a retornar investidores que saíram, nove licitações de áreas estão marcadas até 2019 e Oddone aposta em bem-sucedida disputa de consórcios nos dois leilões que vão ocorrer em outubro. “Estou há dois meses na estrada, percorri sete países, reuni-me com os mais importantes investidores e só vi entusiasmo e otimismo com o Brasil”, diz.
Ele conta que estava em Londres quando foi divulgada a gravação da JBS contra o presidente Temer. No dia seguinte falaria para uma plateia cheia de empresários. “Me preparei para o pior, mas nenhuma pergunta sobre a crise política. São investidores globais, tanto faz estar na Nigéria ou no Brasil”, argumenta.
Neto de um diretor-fundador da Petrobrás e por 25 anos funcionário da estatal, a obsessão de Oddone é trazer para o Brasil US$ 80 bilhões de investimentos com as nove rodadas programadas até 2019. Ele diz não temer demissão com o troca-troca de governos, porque seu mandato vai até janeiro de 2021 e garante que nesses cinco meses à frente da ANP não enfrentou nenhuma interferência política. “Se erro houver nos leilões, a responsabilidade é da ANP”, afirma.

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