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Fonte: O Estado de São Paulo

O preço do petróleo colapsou, apesar do acordo realizado no final do ano passado entre a Opep e a Rússia. Buscando elevar as cotações, houve um esforço para reduzir a oferta. Bem-sucedido no início, resultou numa contração da produção de quase 1 milhão de barris no começo do ano.
Em consequência, os preços do petróleo do tipo Brent subiram para mais de US$ 56 por barril, animando o mercado. Entretanto, em março começaram a fraquejar, pois nesse momento se tornou mais claro que as cotações melhores estavam estimulando a elevação da oferta, especialmente nos Estados Unidos. Com a rapidez na prospecção e no desenvolvimento de novos poços na região do “shale oil”, a produção subiu de 8,5 milhões de barris/dia, em setembro passado, para 9,3 milhões, no início deste mês.

Devidamente autorizados pelo cartel, Líbia e Nigéria elevaram a produção em mais de 300 mil barris em maio, em relação a abril. Outros países, como o Brasil, também bombaram mais óleo. A perspectiva de enxugamento do mercado reverteu-se, derrubando as cotações. Entre 12 e 21 deste mês, a queda foi de 7%. Comparado a fevereiro, a redução foi de mais de 20%, de US$ 56 para US$ 44 o barril. Mais uma vez está claro que a Opep não mais controla o mercado de petróleo, e toda tentativa de puxar os preços apenas estimula a elevação da produção em outros lugares do mundo, até porque houve, nos últimos anos, um expressivo avanço tecnológico que reduziu muito os custos de prospecção, desenvolvimento e extração de óleo, inclusive no Brasil.Cars 3 2017 film download

A queda no preço externo tem sido repassada para o mercado brasileiro de derivados, o que concorre para reduzir, em muito, a alta de preço no País. Na verdade, desde outubro do ano passado, a taxa de inflação vem surpreendendo e caindo mais do que o projetado. Muitos fatores concorrem para isso, desde os juros ainda muito elevados e a fraqueza da demanda do consumidor até os choques positivos, como o decorrente da excepcional safra de verão. Auxiliados pela queda recente nas cotações internacionais de produtos agrícolas, inclusive do açúcar, os preços dos alimentos estão caindo significativamente.

O IPCA-15 de 0,16% em junho é o mais baixo desde 2006. O índice cheio para o mês deverá ser negativo e, com isso, as projeções de inflação para o ano são próximas de 3,5%, algo extraordinariamente positivo.

É exatamente neste momento que me parece chegada a hora de elevar a Cide, cujos impactos positivos no meio ambiente são inequívocos, e não capturados no mercado privado. Entretanto, o setor produtivo vem sendo grandemente machucado nos últimos tempos, depois de um breve período de melhoria. O País corre o risco de perder pelo menos parte do esforço de criar uma plataforma única no mundo, na área de combustíveis líquidos, francamente favoráveis ao meio ambiente desde a produção.

Vemos recentemente uma situação fortemente baixista, que está se autoalimentando: a redução de preços dos combustíveis pressiona o preço do etanol, que induz os produtores a elevar a produção de açúcar, que, por sua vez, leva a uma queda nas cotações internacionais, que se reflete nos preços domésticos, reiniciando o circuito. Como o setor está endividado, a queda na geração de caixa agrava o problema.

Corremos o risco de reduzir o papel do etanol a um simples aditivo da gasolina, o que, embora seja confortável para as empresas de petróleo, não é, certamente, o melhor para o meio ambiente e para o País.

A queda firme da inflação abre uma inequívoca oportunidade para a correção desse desequilíbrio. Creio que uma Cide de R$ 0,25 por litro de gasolina seja algo bastante razoável para as atuais circunstâncias.
O impacto de um aumento da Cide de R$ 0,15 por litro sobre os preços da gasolina ao consumidor não seria superior a 5%, assumindo o repasse integral e a ausência de mudanças nas demais parcelas que compõem o preço final.

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