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Fonte: Valor Econômico

Se os preços do açúcar no mercado internacional, em forte queda diante das vendas dos fundos especulativos, vêm desanimando as usinas brasileiras, o etanol também não tem oferecido uma saída melhor. Pressionados pela forte desvalorização do petróleo no mercado internacional, os preços do etanol têm recuado de forma expressiva nas usinas e nos postos sem que a demanda tenha reagido positivamente a essas mudanças. Desde o início da safra 2017/18, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado já caiu 6%, alcançando R$ 1,3453 o litro na semana entre 5 e 9 de junho. A redução de preços no período seria um movimento natural em um contexto de avanço da moagem. Ocorre que as cotações do etanol já estão em queda desde o início do ano. Da primeira semana de 2017 até agora, o indicador acumula retração de 28% e está bem abaixo do valor registrado em igual época da safra passada. Na semana que se encerrou em 10 de junho de 2016, o indicador Cepea/Esalq estava 14% mais alto que o da última semana. Essa redução já chegou aos postos, mas ainda não estimulou os motoristas a trocarem a gasolina pelo etanol. Nos postos do Estado de São Paulo, o preço médio do etanol já está abaixo dos 70% de paridade em relação à gasolina. Na semana encerrada dia 10, o valor médio ficou em R$ 2,296 o litro, acumulando 3,73% de queda em um mês, conforme levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em relação ao preço da gasolina, o etanol ficou em 68%. Contudo, a demanda segue abaixo do esperado para esta época. “Já estamos em junho, o consumo já deveria ter chegado ao que se esperava”, disse Martinho Ono, presidente da SCA Trading Etanol. A expectativa, segundo ele, era que as vendas de etanol já estivessem em torno de 1,3 bilhão de litros por mês, mas não estão ultrapassando muito a casa dos 1 bilhão de litros. As vendas de etanol hidratado das usinas para as distribuidoras se aceleraram na segunda metade de maio, mas não foram suficientes para anular a distância em relação ao mesmo mês do ano passado. No total de maio, foram negociados 1,160 bilhão de litros de etanol hidratado no mercado interno, queda de 14% na comparação anual, conforme levantamento da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). Os dados referentes a maio sobre as vendas de etanol hidratado nos postos ainda não foram divulgados pela ANP, mas costumam não guardar diferenças muito grandes com relação às vendas reportadas pela Unica. Na avaliação de Ono, para o motorista trocar a gasolina pelo etanol, o preço do biocombustível vai ter que recuar mais. “Quando a relação entre o preço do etanol e da gasolina em São Paulo chegar a 66% ou 65% e a relação entre Estados como Paraná e Minas Gerais melhorar, aí aumenta a demanda”, disse. Por enquanto, o etanol ainda está em 75% do valor da gasolina no Paraná e em 72% em Minas Gerais.

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