Europa vai definindo fim dos carros a gasolina e diesel

Fonte: Valor Online

O Reino Unido proibirá a venda de carros novos e vans que usam diesel e gasolina a partir de 2040, como parte de um plano abrangente para combater a poluição do ar que os especialistas dizem ser viável, ainda que ambicioso. O anúncio de ontem do governo britânico acompanha decisões similares da França e da Noruega, e vem em meio a um debate mundial sobre a rapidez com que carros elétricos e híbridos podem substituir motores de combustão interna. Os motores tradicionais que funcionam com diesel e gasolina ainda são populares entre os consumidores, por serem relativamente baratos e não sofrerem de algumas limitações às quais estão sujeitos os carros elétricos, como uma autonomia limitada. Mas agora que a tecnologia de carros elétricos e híbridos está melhorando, os governos estão tentando definir metas de longo prazo para ajudar a orientar os investimentos das montadoras e, em última instância, as escolhas dos consumidores. O governo britânico anunciou que colocará 255 milhões de libras (US$ 326 milhões) para ajudar comunidades locais a combaterem a poluição gerada pelo diesel. As medidas fazem parte de uma estratégia para despoluir o ar, que as autoridades publicaram às vésperas do prazo exigido pela Suprema Corte. O dinheiro faz parte de um esforço de 3 bilhões de libras de limpeza do ar. O plano do governo inclui a consideração de um esquema focado em metas específicas para os motoristas que precisam de subsídios e para incentivar a troca de veículos. Também visa que “até 2050, praticamente todos os carros e vans em circulação sejam veículos totalmente não poluentes”, disse o governo sobre o programa. Frederik Dahlmann, professor assistente de energia mundial na Warwick Business School, do Reino Unido, descreveu os planos como “ambiciosos, mas realistas”. “Estou suficientemente confiante que a indústria poderá responder nesse prazo”, disse. O plano, porém, exigirá um investimento significativo em infraestrutura, por exemplo para a criação de uma rede de postos de recarga, necessária para tornar os veículos elétricos e híbridos mais populares. Outro ponto a ser focado são melhorias nas baterias, para que sejam mais duradouras. Embora a fabricante de automóveis Volvo tenha se comprometido a passar a vender somente carros elétricos e híbridos num prazo de dois anos, a maioria dos principais fabricantes diz que os motores tradicionais continuarão sendo uma parte importante de suas vendas por muitos anos. Ontem, o executivo-chefe da Daimler, Dieter Zetsche, disse que os motores a diesel podem ajudar a reduzir as emissões mundiais de dióxido de carbono porque emitem menos que os carros a gasolina. Ativistas ambientais observam, porém, que os motores a diesel emitem mais óxido de nitrogênio, prejudicial à saúde das pessoas. Até agora, o crescimento das vendas de veículos elétricos e híbridos tem sido forte, mas partindo de um patamar baixo. A IHS Markit, empresa de análise de dados, estima que as vendas de motores a combustão interna deverão cair de 17 milhões de veículos em 2015, em toda a União Europeia, para cerca de 12 milhões em 2025, o que ainda significaria uma importante participação de carros poluentes nas vias. Por outro lado, as vendas de carros elétricos e híbridos deverão crescer de cerca de 350 mil em 2015 para 1,85 milhão até 2025.

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