Lucro da Petrobras cai 14,6%, para R$ 316 milhões no segundo trimestre

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Fonte: Globo.com
Com queda na venda de combustíveis e provisão para despesas extraordinárias, a Petrobras registrou lucro líquido de R$ 316 milhões no segundo trimestre. O resultado significa um recuo de 14,6% em relação a igual período do ano passado. A estatal teve gastos de R$ 6,234 bilhões com a adesão a programas especiais de regularização tributária, que incluem débitos ligados à repactuação do fundo de pensão da companhia, a Petros. Além disso, a companhia teve de provisionar outros R$ 818 milhões referentes a recebíveis ao navio-sonda Vitória 10.000. A crise econômica no Brasil também pesou, com a queda de 8,3% nas vendas de combustíveis no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2016.
Houve ainda recuo de 93% na comparação com o primeiro trimestre do ano, quando a companhia ganhou R$ 4,449 bilhões. Assim, no semestre, a estatal registrou resultado positivo de R$ 4,765 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 876 milhões do mesmo período de 2016.
EXPORTAÇÃO EM ALTA
O resultado dividiu especialistas. Uma parte esperava prejuízo de até R$ 3 bilhões; e outra estimava lucro de até R$ 1,2 bilhão. Mas todos avaliam que as provisões fiscais atrapalharam o desempenho da estatal.
Por outro lado, a Petrobras cortou as despesas. No primeiro semestre do ano, os custos ficaram em R$ 5,248 bilhões, uma queda de 40% em relação ao mesmo período de 2016. Com o plano de incentivo a demissões, o efetivo da companhia teve redução de 18% nos primeiros seis meses do ano e ficou em 63.152 empregados. Os investimentos somaram R$ 20,156 bilhões entre janeiro e junho, um recuo de 23% em relação ao ano passado. Isso permitiu um fluxo de caixa livre (recursos gerados pelas atividades operacionais descontados os investimentos) de R$ 22,722 bilhões no semestre. Com o desempenho, a estatal chegou a nove trimestres consecutivos de fluxo de caixa livre positivo.
A empresa também melhorou o seu perfil de endividamento. Passou de US$ 95 bilhões (R$ 301 bilhões) no primeiro trimestre deste ano para US$ 89,3 bilhões (R$ 295,3 bilhões) no segundo trimestre deste ano. A produção subiu 3% no primeiro semestre, chegando a 2,791 milhões de barris por dia.
No semestre, as exportações de petróleo subiram 48%, chegando a 717 mil barris por dia. Pedro Parente, presidente da Petrobras, destacou os resultados da companhia:
— Por efeitos extraordinários, tivemos um lucro líquido menor, mas tivemos fluxo de caixa livre positivo pelo nono trimestre e uma dívida abaixo de US$ 90 bilhões.
Parente destacou que a companhia sentiu o menor preço do petróleo no mercado internacional, que caiu de uma média de US$ 50,70 por barril entre janeiro e março para US$ 47,25 entre abril e junho. Assim, a receita caiu 8,3% no segundo trimestre, para R$ 51,301 bilhões. Na comparação semestral, o recuo foi de 3%, para R$ 105,230 bilhões.
Questionado sobre a eficácia da nova política de preços, com variações praticamente diárias, o presidente da Petrobras explicou que há defasagem de dois meses até que essa política de reajustes mostre resultados financeiros:
— Não é resultado ruim. A política foi mudada a partir de julho. Entre comprar e chegar, leva 60 dias. O resultado da política será visível até setembro. A política, na nossa visão, está indo muito bem. A única coisa que estamos fazendo é reagir ao que acontece com a commodity.
CAPTAÇÃO DE R$ 2 BI COM BNDES
Ivan Monteiro, diretor financeiro, destacou a crise econômica e a queda no preço do petróleo.
— Apesar de a produção subir, a recessão afetou a venda de nossos produtos. Mas a companhia vem melhorando, com queda nas despesas. Tivemos a adesão ao programa tributário do governo e o valor do contrato de arrendamento da sonda. Houve uma imensa redução de ociosidade de equipamentos e a queda de gastos com poços secos (o recuo foi de 82,1%, caindo de R$ 1,810 bilhão para R$ 324 milhões entre o primeiro semestre de 2016 e 2017) — disse Monteiro.
A companhia, porém, precisa melhorar seu nível de endividamento, destacou Monteiro. Ele lembrou que a empresa vai reduzir seus vencimentos em 2018 (de US$ 9,3 bilhões) em US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões. Para isso, a companhia vai acessar o mercado financeiro internacional nos próximos meses. A Petrobras também vai voltar a fazer operações com o BNDES. Para Monteiro, a expectativa é captar até R$ 2 bilhões nos próximos seis meses através do Finame, linha destinada à compra de máquina e equipamentos.
De olho no caixa para esse ano, a empresa pretende vender ativos e manter a meta de US$ 21 bilhões até o ano que vem. O diretor financeiro disse que a empresa tem hoje uma carteira total de US$ 40 bilhões em desinvestimentos.
— Temos um portfólio de US$ 40 bilhões. Estamos otimistas. O nível de interesse é alto. Houve alterações importantes no ambiente de regulação. Isso aumenta o interesse pelos ativos e aumenta o valor. Uma das decisões foi fazer a abertura de capital da BR Distribuidora. Terão iniciativas importantes no segundo semestre — explicou ele.
DESCOBERTA EM CAMPOS
O especialista Flávio Conde da consultoria WhatsCall disse que o resultado decepcionou porque, além dos impactos negativos das provisões, o resultado operacional não foi muito positivo. Conde, que esperava lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, disse que a empresa teve forte queda nas vendas de combustíveis, principalmente de diesel, que caíram 11% no segundo trimestre:
— A Petrobras teve perda de receita e de rentabilidade. Isso mostra como é importante continuar o plano de venda de ativos para a redução do endividamento da companhia. Esperamos que a venda das ações da BR Distribuidora aconteça até outubro.
Para Phillip Soares, analista da Ativa Investimentos, o resultado operacional veio fraco:
— Um ponto positivo foi o anúncio da descoberta de petróleo no pré-sal na área do campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos.

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