Moro converte prisão de Bendine de provisória para preventiva

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Fonte: Valor Online
Bendine: ex-presidente da Petrobras se disse um colaborador da Lava-Jato O juiz federal Sergio Moro determinou a prisão preventiva (isto é, sem prazo definido) do ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil Aldemir Bendine. Ele também acatou pedidos de transformação da prisão temporária (com prazo de cinco dias) em preventiva de André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, apontados como operadores do ex-dirigente. Bendine estava preso desde o dia 20, em caráter provisório, por ocasião da 42ª fase da Operação Lava-Jato, intitulada “Cobra” – codinome dele nas planilhas do setor responsável pelo pagamento de propinas da Odebrecht. A prisão provisória expirou ontem. Para Moro, há “múltiplos riscos à ordem pública, à instrução e à aplicação da lei penal” que justificam a prisão preventiva de Bendine. “Apenas a prisão preventiva foi capaz de encerrar as carreiras delitivas de profissionais da lavagem [na operação Lava-Jato]”, escreveu o juiz, citando operadores como Alberto Youssef, Fernando Baiano e Milton Pascowitch. “O quadro não é muito diferente para Aldemir Bendine.” Na decisão, Moro anotou que “a solicitação e o recebimento de vantagem indevida por Aldemir Bendine não foram algo ocasional em sua vida profissional, mas uma prática corriqueira”. É “especialmente assustador”, para o juiz, “que o recebimento da segunda e da terceira parcelas da vantagem indevida [tenham ocorrido] mesmo após a efetivação da prisão preventiva do presidente do Grupo Odebrecht [em junho de 2015]”. A força-tarefa no MPF pedira a prisão preventiva de Bendine alegando que o ex-presidente da Petrobras usaria “sua forte e inegável influência política” para ” atos tendentes ao embaraço das investigações”. No pedido, o MPF afirma que Bendine “se valeu de uma das mais altas autoridades do país”, o então ministro-chefe da secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para tentar impedir um depoimento que seria prestado ao MPF, em 2014, por Sebastião Ferreira, o Ferreirinha, que trabalhou como motorista para o ex-presidente da Petrobras. “Ferreira relatou que, poucos dias antes do depoimento no MPF, a partir de interferências de Gilberto Carvalho, Bendine ligou ao depoente e o pediu para ir no apartamento deste. Todavia, apesar de ter confirmado sua presença, Ferreira não foi ao encontro”, anota o MPF. Ferreira falou ao MPF, em junho de 2014, e disse que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando do chefe. Em depoimento prestado à Polícia Federal ontem, Bendine disse nunca ter pedido propina à empreiteira Odebrecht ou recebido valores pagos pelo setor de operações estruturadas da empresa – responsável por pagamentos a políticos e agentes públicos – e que se sente “injustiçado” por se ver como “um dos maiores colaboradores da [Operação] Lava-Jato”. Bendine reconheceu ter se encontrado com Marcelo Odebrecht e outro executivo do grupo, Fernando Reis. Ambos disseram, em suas delações premiadas, que pagaram R$ 3 milhões em propinas ao ex-presidente da Petrobras. Mas, segundo ele, os encontros foram pedidos pelos empresários. Segundo Bendine, é “mentira que ele teria solicitado uma reunião com Marcelo Odebrecht em janeiro de 2015”. O que houve, segundo o ex-presidente do BB, “foi o contrário”: “Fernando Reis solicitou à secretária [de Bendine] no Banco do Brasil uma reunião com o herdeiro da Odebrecht”. Bendine disse não ter tratado, então, de “assuntos relacionados à Lava-Jato ou à Petrobras”, pois não tinha “a mínima perspectiva de ser nomeado” para o comando da estatal.

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