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Fonte: Portal UDOP

O preço do petróleo recuperou-se esta manhã (23/6/17, sexta-feira), mas a queda recente do barril segue sendo um fator importante que pode vir a afetar os cenários para a economia global. O impacto dos preços da principal commodity do mundo – hoje o barril está na faixa entre US$ 40 e US$ 45 – na economia mundial são complexos. No passado, a desaceleração da atividade combinada com pressões inflacionárias era praticamente o único efeito relevante da alta do petróleo.

Mais recentemente, sem que haja necessariamente causalidade, quedas do preço do petróleo têm sido acompanhadas de percepções mais pessimistas sobre a atividade global e, portanto, recuo das bolsas. Para os ativos de um País produtor de commodities como o Brasil, e cujos papéis sofrem contágio da elevação do retorno dos títulos da classe de empresas de risco elevado, como várias produtoras de “shale oil” nos Estados Unidos, aparentemente a alta do petróleo tem configurado um cenário mais favorável do que a baixa.

Nesse sentido, um paper do FMI do início deste ano, de vários autores, pode conter uma notícia positiva para o Brasil, na interpretação de Bráulio Borges, economista-chefe da LCA e pesquisador associado do Ibre. O estudo busca fazer uma modelagem do mercado de petróleo que integra várias abordagens que normalmente são utilizadas separadamente (e que apontam para direções antagônicas).

A primeira abordagem é aquela que vê a depleção dos campos de petróleo como fator determinante para o futuro da oferta, levando a crescentes pressões altistas. A segunda considera avanços na exploração e na tecnologia de extração do petróleo como sendo suficientes para satisfazer a demanda. A terceira é a que considera o ciclo econômico global como dominante na formação do preço do barril. E a quarta coloca ênfase na substituição do petróleo por outras fontes e no aumento da eficiência energética como fatores que ajustarão a demanda à oferta.

O modelo do FMI, que combina essas abordagens e inclui suas interações, confirma que as determinações do preço do petróleo no curto prazo, em que é grande o peso da baixa elasticidade tanto da demanda quanto da oferta do produto, não devem ser aplicadas em prognósticos de médio e longo prazo.

Mas umas das implicações relevantes do trabalho é que há uma probabilidade razoável de que o preço do petróleo sofra um “overshooting” num horizonte até 2025, e que se torna tão maior quanto por mais tempo a cotação do barril permaneça baixa, desestimulando os investimentos para ampliar a oferta. Alguns cenários extraídos do modelo e comentados no trabalho mencionam cotações do barril em torno do patamar de US$ 80 a US$ 100 ao final daquele período.

Como já é bem sabido, o paper chama atenção para o fato de que a produção a partir do shale nos Estados Unidos, pela sua reação mais rápida do que as fontes convencionais, é de fato o principal fator de regulação entre demanda e oferta atualmente.

Para Borges, da LCA, o trabalho do FMI é uma indicação de que o avanço da produção de petróleo do pré-sal no Brasil vai tornar o País um exportador líquido relevante num período em que é provável que os preços estejam num nível bem mais lucrativo do que o atual.

Já Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), vê risco de o barril cair para US$ 30 nos próximos meses, e acha muito improvável que a commodity volte para perto de US$ 100. Para os próximos cinco a sete anos, ele projeta um preço entre US$ 50 e US$ 60.

Na sua interpretação, a queda do petróleo atual – em meados de 2014 o barril foi cotado em torno de US$ 114 – é diferente da baixa do final dos anos 80. Hoje, para ele, existem fatores permanentes de contenção da demanda de petróleo, ligados a mudanças na economia (as maiores empresas do mundo são de informática, e não petroleiras e montadoras de automóveis), à preocupação com o meio ambiente e ao avanço das fontes alternativas.

“O `peak oil´ vai acabar acontecendo pela demanda, e não pela oferta”, ele diz.

Seja como for, como lembra Pires, o Brasil perdeu a chance de explorar parte do pré-sal com preços bem mais altos, por ter ficado seis anos sem fazer leilões a partir da descoberta em 2007. Agora, se o modelo do FMI estiver correto, o País pode ter uma nova oportunidade de grandes ganhos, facilitada pela surpresa positiva da alta produtividade dos campos do pré-sal.

24/06/17
Fernando Dantas – Colunista
Fonte: O Estado de S. Paulo

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