Fonte: O Globo

Postos do Rio, e de todo o país, reajustaram rapidamente os combustíveis após a alta do PIS/ Cofins. Ontem de manhã, o litro da gasolina custava até R$ 4,44 na Zona Sul. O aumento chegou a 9% na Zona Norte. Impostos já são 51% do preço nas bombas cariocas. Com vendas em queda este ano, na esteira da crise econômica, distribuidoras e postos de combustíveis foram rápidos no gatilho, ontem, no repasse para o consumidor final do aumento do PIS/Cofins que incide sobre a gasolina, o álcool e o diesel. Ao fim da manhã da sexta-feira, dia no qual a nova tributação passou a vigorar, o litro da gasolina chegava a custar R$ 4,44 em um posto da Gávea, Zona Sul do Rio, um aumento de 7,25% sobre os R$ 4,14 cobrados na véspera. Após percorrer 12 postos, a reportagem do GLOBO apurou na Tijuca, Zona Norte, o maior reajuste nas bombas: 9,12%.
No posto tijucano, a gasolina, que custava R$ 3,84 o litro, passou a valer R$ 4,19. E o etanol, que custava R$ 3,09 o litro, era vendido aos motoristas por R$ 3,34. Do total de postos visitados, oito reajustaram os preços ontem mesmo.
O movimento repetiu-se Brasil afora. De acordo com levantamento do site G1, na Bahia, o preço do litro da gasolina chegava a R$ 4,32. No Ceará, o aumento médio foi de R$ 0,39, e no Espírito Santo, o litro, que custava R$ 3,49, passou para R$ 3,99. Em Minas e no Paraná, o aumento médio do litro da gasolina foi de R$ 0,40, passando a custar R$ 3,69 e R$ 3,79, respectivamente. Em São Paulo, muitos postos também reajustaram o preço da gasolina, com aumentos que variavam entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro.

CONSUMO ESTÁ EM QUEDA
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), antes do aumento, o preço médio do litro da gasolina no Rio era de R$ 3,846. Com os reajustes captados pelo GLOBO, a média dos 12 postos ficou em R$ 4,11. Aplicados esses valores, o dono de um Ford Ka deve desembolsar quase R$ 14 a mais para encher o tanque, diferença que chega a R$ 21 para o dono de uma Toyota SW4.
O governo elevou o PIS/Cofins sobre os combustíveis no esforço de levantar R$ 10,4 bilhões e cumprir a meta fiscal de 2017. No caso da gasolina, a tributação mais que dobrou, passando de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 por litro. A alíquota do diesel passou de R$ 0,2480 para R$ 0,4615. Para o etanol, a elevação foi diferenciada para produtores e distribuidores. A decisão sobre o repasse ao consumidor final é de cada posto, visto que a incidência do imposto acontece na compra do combustível das distribuidoras.
Os consumidores se surpreenderam com a rapidez com que os postos repassaram o aumento. O funcionário público Nuno Maranhão, de 43 anos, sabia do aumento, mas não esperava encontrar a gasolina já com preço maior:
— Saí de casa pensando em abastecer ainda com os preços antigos. Mas, ao chegar ao posto, vi que o aumento já tinha chegado às bombas. O jeito vai ser deixar o carro mais vezes na garagem.
O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, explicou que os empresários não tinham como segurar os preços, devido à rapidez das distribuidoras:
— Os postos que receberam combustível na madrugada de sexta já receberam com o preço mais alto, logo, repassaram o aumento imediatamente.
Os varejistas que ainda não repassaram a alta afirmam que, no início da semana que vem, com a reposição dos estoques, os preços subirão.
— Estamos com encomenda para a próxima segunda-feira e, como já pagaremos mais caro pela gasolina e o etanol, é impossível não repassar o custo para o consumidor, visto que o aumento, dessa vez, foi maior do que o esperado — afirma Eric Raposo, gerente-geral de um posto em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
O aumento do PIS/Cofins também oferece a chance de recomposição de margens para os setor. Segundo dados da ANP, a venda de gasolina no Estado do Rio, entre janeiro e maio deste ano, apresentou uma queda de 3,65% em relação ao mesmo período de 2016. No Brasil, houve avanço de 6,45%. O diesel também apresentou queda: no Rio, de 12,39%, bem maior que a redução de 2,02% no país. A venda de etanol caiu 21,24% no Rio e registrou tombo de 19,67% no Brasil.
— Com a inauguração da Linha 4 do Metrô, que liga a Barra da Tijuca ao Centro, perdemos muitos clientes que faziam esse trajeto de carro ou moto. Isso fez com que as vendas caíssem e começássemos a trabalhar com um estoque menor de combustível. Por isso, quando há aumento, o repasse é imediato, porque compramos combustível com uma frequência muito maior — explica Eric Raposo.
Porém, Maria Aparecida Siuffo Pereira Schneider, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Município do Rio (Sindcomb), acredita que a oportunidade é ilusória:
— É inacreditável que o governo jogue nas costas do setor e do consumidor um aumento desses, com a situação de crise que o país enfrenta. No Estado do Rio, o consumidor vai acabar pagando o combustível a preço de ouro.

CUSTO DO FRETE PREOCUPA
Além do aperto no bolso, o consumidor pode sofrer outra garfada. A elevação do imposto sobre o diesel pode impactar futuramente as tarifas do transporte público e do frete de mercadorias, num país em que as rodovias são os principais meios de escoamento da produção.
— O aumento de impostos sobre o diesel terá impacto de 2,5% sobre os custos do transporte rodoviário de cargas, com reflexos imediatos no preço do frete e, consequentemente, no custo dos alimentos e de todos os produtos — explica Clésio Andrade, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

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