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Fonte: Valor Online

A ameaça da China de impor uma sobretaxa às importações de petróleo dos Estados Unidos vai afetar um negócio que se saiu muito bem nos últimos dois anos, e que agora representa quase US$ 1 bilhão por mês.
Numa escalada da disputa comercial com a maioria de seus grandes parceiros comerciais, incluindo a China, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na semana passada sua decisão de impor tarifas sobre US$ 50 bilhões em importações chinesas, a partir de 6 de julho.
Na sexta-feira, a China disse que iria retaliar impondo tarifas sobre várias commodities americanas, incluindo o petróleo.
Investidores acreditam que a disputa prejudicará das empresas de petróleo dos EUA. Desde sexta-feira, as ações da ExxonMobil acumulam uma queda de 1,3%, enquanto os papéis da Chevron recuam 0,4%.
"Essa escalada da guerra comercial é perigosa para os preços do petróleo", disse Stephen Innes, diretor de operações da corretora de futuros OANDA para a Ásia/Pacífico. "Vamos esperar que os ânimos esfriem, mas não estou muito otimista", acrescentou ele.
A disputa entre os EUA e a China ocorre num momento decisivo para os mercados de petróleo. A redução voluntária na oferta liderada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e pela Rússia, que não faz parte do cartel, iniciada há um ano e meio, ajudou a reduzir o excesso de oferta e os estoques globais, impulsionando os preços da commodity.
A possível queda das exportações de petróleo dos EUA para a China beneficiaria outros produtores, especialmente os da Opep e a Rússia. A Arábia Saudita, membro mais importante da Opep, e a Rússia indicaram na sexta-feira que vão rever a restrição da oferta e que estão começando a aumentar suas exportações.
Uma redução das compras chinesas de petróleo americano também poderá beneficiar o Irã, que Washington tenta conter com novas sanções anunciadas em maio. "Os chineses poderão simplesmente substituir parte do petróleo americano por petróleo iraniano", disse John Driscoll, diretor da consultoria JTD Energy Services.
"A China não está intimidada pela ameaça de sanções dos EUA. Os chineses não ficaram no passado. Portanto, nessa disputa diplomática, eles poderão simplesmente substituir o petróleo americano por petróleo iraniano. Isso obviamente deixaria Trump furioso", afirmou ele.
A resposta agressiva da China a Trump pegou parte do setor de surpresa. No último ano, as exportações de petróleo dos EUA para a China cresceram significativamente, graças a um aumento da produção nos últimos três anos - o que tornou os EUA uma boa alternativa para compensar o corte na oferta da Opep e da Rússia.
"Fomos pegos de surpresa pela inclusão do petróleo na lista", disse ontem um funcionário de uma grande empresa estatal de petróleo chinesa, que pediu para não ser identificado por não ter autorização para falar com a imprensa.
"Estávamos, na verdade, nos preparando para aumentar as importações de acordo com uma orientação anterior do governo", acrescentou ele, referindo-se à política decretada por Pequim este ano para ajudar a reduzir o déficit comercial dos EUA com a China.
As exportações de petróleo dos EUA, que vêm crescendo graças a um grande aumento da produção nos últimos três anos, eram vistas como uma alternativa viável de compensação ao corte da oferta pela Opep e Rússia.
Levantamento da Thomson Reuters Eikon mostra que os embarques de petróleo dos EUA para a China aumentaram muito em valor recentemente, passando de apenas US$ 100 milhões por mês no começo de 2017 para quase US$ 1 bilhão ao mês atualmente.
A ameaça de sobretaxa da China tornaria o petróleo americano mais caro em comparação ao de outras regiões, incluindo o Oriente Médio e a Rússia, e pode provocar uma ruptura num negócio que vem experimentando um forte crescimento.
"Com as politicas de Trump, estamos num mundo de realinhamento de alianças. A China não vai simplesmente engolir as tarifas dos EUA", diz Driscoll.
"Essa é a diplomacia do petróleo olho por olho, dente por dente", acrescenta ele. "O cartel Opep/ não-Opep é o maior beneficiário de toda essa diplomacia do petróleo. Ele vai reduzir consideravelmente a capacidade não ociosa do petróleo e provavelmente elevar os preços."

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