Fonte: Valor Online
A contínua elevação dos preços do petróleo no mercado internacional é um cenário indesejável para a BR Distribuidora, que perde receita com a redução da demanda por combustíveis no país, explicou Ivan de Sá, presidente da companhia.
O executivo participou ontem de uma cerimônia de adesão ao Programa Destaque em Governança de Estatais da B3. No evento, ele destacou que a política de subvenção dos preços do diesel não configura um problema em termos de governança, que está "robusta" e em nível "top" de mercado. De acordo com Sá, a BR segue atuando para conseguir a maior rentabilidade possível dentro das condições do mercado.
"Torcemos para que as previsões [que apontam o Brent acima de US$ 100 o barril] estejam erradas, não queremos ultrapassar o limite da capacidade orçamentária dos consumidores", disse Augusto Cruz, presidente do conselho da controlada da Petrobras.
Ainda que a BR veja uma certa "inelasticidade" na demanda por combustíveis por conta do peso que o transporte tem na economia brasileira, preços muito elevados resultam na redução de demanda, o que pressiona a companhia. "O nível de preço mais alto vai, de alguma forma, colocar a demanda sob algum tipo de estresse maior. Mas, não acho que nossa atividade seja tão prejudicada com a elevação de preços", disse Sá, apontando que, entre os aspectos negativos para a companhia, está o maior capital de giro empregado. "Mas não temos mudanças radicais em nossos planos por conta disso", completou.
O executivo disse que a companhia é "totalmente sensível" ao fato de que preços menores são bons para os consumidores. "Entendemos que o mercado talvez tenha uma demanda maior com preços mais baixos, mas são variáveis acima de qualquer controle que possamos ter."
As expectativas da BR para crescimento do mercado neste ano não foram verificadas até o momento, mas a companhia não tem uma nova projeção. Segundo Sá, há sinais positivos em alguns segmentos, ao mesmo tempo em que a distribuidora de combustíveis mantém esforços para ter um volume de vendas "compatível com o tamanho da operação."
"Isso o mercado que vai dizer. Estamos preparados para atender a demanda, esperamos que a economia possa ter um desempenho melhor", disse Sá.
Segundo Cruz, presidente do conselho, não adianta a BR ir "contra as leis econômicas de mercado" que ditam a política de preços de derivados da Petrobras.
"Diante dessas leis de mercado, sobra para nós distribuidoras o jogo de prestar o melhor serviço, estar presente no maior número de pontos, ter produto de qualidade e serviços complementares. É nessa linha que temos trabalhado para recuperar nosso market share, manter a liderança e avançar na recuperação do capital investido", disse Cruz.