Petróleo liderou alta das commodities em setembro

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Fonte: Valor Online

As matérias-primas industriais engataram uma tendência de alta durante setembro, apesar das ações do presidente americano, Donald Trump, que analistas creem pressionar os preços desses produtos. Dentro do complexo de metais não ferrosos, contudo, houve dissonância, coma disputa comercial entre Estados Unidos e China pesando mais sobre algumas commodities.
O maior destaque do mês, contudo, é o petróleo, e sobretudo o de tipo Brent. O barril, que é a maior referência do mercado internacional, se valorizou em 5,6% durante setembro até ontem na ICE Futures de Londres, atingindo o nível de US$ 81,72 cada, considerando o primeiro contrato disponível. Desde o fim de 2014 a cotação não era tão alta. No caso do WTI, o avanço mensal foi de 3,3% na Nymex, de Nova York, para US$ 72,12. No ano, ambos acumulam ganhos de 23% e 19%, respectivamente.
Os apelos de Trump, principalmente na rede social Twitter, não tiveram efeito. O chefe máximo do Executivo americano demandou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) elevasse a oferta para conter a alta dos preços neste ano, mas em reunião com seus aliados, o cartel histórico decidiu manter o status quo.
Por isso, a maioria dos analistas aposta em continuidade da valorização. O Bank of America Merrill Lynch (BofA) estima US$ 80 no fim do ano e de US$ 95 em junho. Para o Citi, se os riscos de menor produção no Irã, no Iraque, na Líbia, na Nigéria e na Venezuela se concretizarem totalmente, a cotação pode atingir US$ 100 no quarto trimestre. A consultoria Fitch Solutions (ex-BMI Research) vê como justificável a manutenção dos preços acima dos US$ 80 no curto prazo.
Para o WTI, as projeções são menos otimistas. O gargalo de infraestrutura de transporte pelo qual os EUA passam para escoar a oferta fez com que os estoques no país se elevassem. Isso serviu para impedir uma alta mais relevante nesse tipo de barril. O BofA, por exemplo, aguarda patamar de US$ 70 até o fim de 2018. O desconto do mercado para o WTI, ante o Brent, tem ficado acima de US$ 8 durante o mês todo, sendo que até então no ano a média havia sido de US$ 5.
Existe também um alerta na outra ponta do fundamento econômico. O mercado ainda não começou a botar essa possibilidade totalmente no papel, mas o petróleo caro demais pode começar a tornar seu consumo muito custoso, derrubando a demanda. O Citi enxerga quase 500 mil barris diários a menos de procura com os preços muito tempo acima de US$ 80. A consultoria Capital Economics crê em desaceleração econômica na China e nos EUA por causa da disputa comercial, diminuindo o consumo.
Atualmente, a oferta é menor que a demanda e há queima de estoques no mundo, mas há uma terceira possibilidade de reequilíbrio do mercado. O Commerzbank e o Goldman Sachs veem chance de o presidente americano lançar parte de suas reservas estratégicas no mundo para desvalorizar a commodity. Os EUA têm 660 milhões de barris guardados para emergências e o Goldman calcula que o governo poderia usar em 500 mil barris diários durante dois meses, ou 30 milhões de barris no total.
Minério de ferro também teve um mês positivo, com produto de 62% de teor fechando acima de US$ 68 na China
Para o minério de ferro, o mês também foi positivo até agora, apesar do avanço em menor intensidade. O insumo resistiu à pressão dos desligamentos de capacidade siderúrgica na China por razões ambientais e às dúvidas quanto à saúde econômica global em meio à disputa EUA-China no comércio exterior.
Os preços da matéria-prima com pureza média de 62% entregue no porto chinês de Qingdao subiram 3,5% em setembro até ontem, para US$ 68,67 a tonelada, segundo a "Metal Bulletin". Com isso, a média de cotação no terceiro trimestre atinge US$ 66,87, 1,4% acima do período de abril a junho, mas perda de 6,4% em comparação anual. No acumulado de 2018, a commodity ainda cai 5,4%.
O UBS afirma em relatório que espera manutenção desse patamar maior que US$ 65 por tonelada, com "margem de erro" de US$ 5 para cima ou para baixo, dado o prêmio que os compradores chineses têm pago pelo material de maior qualidade. A projeção para a média de 2019 aumentou de US$ 65 para US$ 67 - até agora em 2018, marca US$ 69, 3,3% a menos que em 2017.
Dentre os metais não ferrosos, o melhor desempenho em setembro foi o do zinco. O metal ficou estável na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês), cotado em US$ 2.506 por tonelada. Para a Capital Economics, esse bom momento é passageiro, por conta do excesso de oferta das minas existentes, que se confronta com a demanda, em especial da galvanização do aço, ainda engatinhando.
A performance mais negativa foi a do alumínio, que sofreu perdas de 5,1% no período, terminando em US$ 2.030. O níquel recuou 4,1%, para US$ 12.560, e o cobre registrou desvalorização de 2,8%, para US$ 6.187.

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