Cotações do Brent e WTI sobem após Rússia considerar corte

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30/11/2018
Preços do petróleo acumulam queda de cerca de 30% em novembro, em mês mais fraco em mais de 10 anos
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Fonte: Valor Online

Os preços do petróleo tiveram uma grande recuperação ontem, em relação ao movimento de queda mais cedo, após a notícia de que a Rússia estaria considerando a possibilidade de reduzir sua produção. O petróleo do tipo Brent subiu 2% em 50 minutos após a divulgação da informação, deixando-o 1% acima do preço de liquidação de quarta-feira, de US$ 59,35 o barril.
A referência americana, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), que antes havia caído abaixo dos US$ 50 pela primeira vez desde outubro de 2017, também se recuperou, avançando 1,4% no dia para US$ 50,99.
Os preços reagiram depois que a agência Reuters publicou uma reportagem afirmando que a Rússia está aberta à possibilidade de cortar sua produção de petróleo em meio a uma grande queda nos preços desde o começo de outubro. A agência disse que o ministro da Energia da Rússia encontrou-se com grupos petroleiros locais, ocasião em que o assunto foi discutido.
A agência de notícias Inferfax disse que a Rússia e a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) ainda se encontram no estágio de avaliação da situação nos mercados de petróleo e desenvolvendo as melhores decisões a serem trabalhadas futuramente, disse ontem o ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, recusando-se a dizer se a Rússia apoia o corte na produção em 2019.
"Não posso dizer por enquanto qual é a nossa posição, uma vez que estamos no estágio de desenvolver e avaliar a situação. Ela envolve especialmente o primeiro e segundo trimestres, as previsões de oferta e demanda", afirmou ele.
"Como vocês sabem, a reunião ministerial acontecerá no primeiro dia de dezembro [amanhã]. Tenho certeza de que juntos com nossos colegas da Opep e dos países que não participam da organização, chegaremos a uma decisão coordenada e consolidada que vai beneficiar o mercado petrolífero", disse Novak.
O ministro da Energia da Arábia Saudita disse na quarta-feira que a Opep, juntamente com parceiros que não participam do cartel, como a Rússia, "anseiam" por devolver a estabilidade ao mercado. Mas ele alertou que a Arábia Saudita "não fará isso sozinha".
Os preços do petróleo vêm suportando um duro golpe em meio as preocupações crescentes com a oferta elevada e os temores de que uma desaceleração do crescimento da economia mundial venha a prejudicar a demanda.
Uma reunião da Opep em 6 de dezembro "assumiu uma importância crítica para os preços com as discussões preliminares entre a Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos podendo acontecer na reunião do G20 em 30 de novembro [hoje]", afirmou Gordon Gray, estrategista do HSBC.
O aumento da exploração de xisto por empresas americanas vem contribuindo para a apreensão. "A recuperação dos preços do petróleo em relação aos patamares de baixa de 2016 vem provocando uma retomada da atividade no apertado mercado de petróleo dos EUA", disse Gray.
O espectro da oferta crescente de xisto foi reforçado na quarta-feira, quando dados do Departamento de Energia dos EUA mostraram que os estoques americanos de petróleo cresceram em 3,6 milhões de barris na semana passada. Com pouco mais de 450,5 milhões de barris, o estoque de petróleo dos EUA está 7% acima da média de cinco anos para esta época do ano, segundo dados oficiais.
O petróleo tipo WTI caiu mais de um terço em relação ao pico de US$ 76,90 registrado no início de outubro, enquanto o Brent teve uma margem de perda parecida. Ontem, o barril do Brent fechou em Londres com alta de 1,38%, cotado a US$ 59,91. Já o WTI subiu 2,30% em Nova York, a US$ 51,45 o barril.

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