Presidente da Petrobras quer vender refinarias e reduzir participação a menos de 50%

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Fonte: O Globo

Qual é a prioridade do seu primeiro ano de gestão?
É a melhoria no portfólio, coma venda de ativos. Outra coisa é reduzir o nível de alavancagem e abusca por uma dívida menor e mais longa. Já chegamos a um prazo de quase nove anos. Vamos trabalhar para superar os dez anos para minimizar o risco de financiamento.Para o médio prazo, vamos recuperar o investment grade (grau de investimento), pois tem impacto sobre o custo do capital. Isso é uma meta.

E quando espera recuperar o grau de investimento?
Talvez em três anos, mas o importante é trabalhar nessa direção. O rating da Petrobras está atrelado ao do Brasil. Existe uma relação entre os dois. O do país pode atuar para limitar o da Petrobras, e ao mesmo tempo o da empresa pode influenciar o do Brasil, dado o tamanho da companhia para a economia. Em 2005, a Vale conquistou o investment grade, e o Brasil só conseguiu em 2008. Esperamos que o Brasil vá melhorar, como esforço das reformas, co moada Previdência. Se o Brasil persistir nessa direção, vai melhorar muito a percepção de risco.

A companhia vai manter o plano de investir US$ 84,1 bilhões entre 2019 e 2023?
O investimento é o mesmo, com pequenas variações. Não pretendemos investir em petroquímica. O valor que estava orçado no Plano de Negócios é pequeno (de US$ 300 milhões). Vão acontecer leilões, mas os dispêndios não estão previstos no plano.

Então, não vai mais investir em petroquímica?
Não temos interesse. É preciso fazer economia em tudo. Um dólar é sempre um dólar. Antes de gastar, é preciso ver o que aquele dólar vai me trazer de bom.

Mas não é importante ter negócios em todas as etapas da cadeia de petróleo?
Eu costumo dizer que não quero ser John Malkovich. Cada empresa tem sua particularidade. Vejo as empresas de petróleo vendendo refinarias para traders.

Qual a sua meta em relação ao setor de refino, no qual tem 98% do mercado?
Minha ideia é ficar com menos de 50% da capacidade do refino. Estamos estruturando como fazer, porque queremos criar um mercado competitivo.Não adianta transferir o poder do mercado da Petrobras para a iniciativa privada.

Quando começa a vender as refinarias?
Vamos ter pelo menos uma venda de refinaria este ano. O projeto de venda vai ser diferente do que já foi anunciado. A empresa pode comprar a refinaria e alugar serviços (de infraestrutura).
Já chegou a um acordo com os chineses para construir uma refinaria no Comperj?
Ainda não. Pessoalmente, ainda não estive com eles. Se eles quiserem fazer uma refinaria, ótimo. Vamos dar o maior apoio e incentivo. Se não quiserem, não somos nós que vamos construir. O momento é de vender refinaria.

A liberdade de preços é fundamental para atrair investidores no refino?
Se não tem liberdade de preços, o investidor não tem segurança. Ele vai embora.

Depois da greve dos caminhoneiros em maio do ano passado, qual vai ser a política de preços para os combustíveis?
Detesto falar em política de preços. Não existe isso para café e sanduíche. Existem preços. Quero tirar política de preços da frente. O preço tem de ser algo que resulte da relação entre fornecedor e cliente.

Qual é a estratégia para a BR?
A ideia é fazer operações de mercado de capital. É aumentar a parcela em mãos de investidores privados. Pode até ser (vender) o controle, mas não está definido.

Vai cortar investimento em energia renovável?
A gente vai reduzir. Pode ser tudo. Pode ser alguma coisa. Vamos segurar um pouco a empolgação e ser mais cautelosos. O objetivo é maximizar a produção de petróleo do pré-sal. Temos que ter em mente que a demanda por petróleo no futuro vai crescer mais lentamente. A médio prazo, a prioridade é o gás natural, que é pouco desenvolvido no Brasil.

Qual é o caminho para alcançar as metas?
Vamos reduzir custos que não estavam previstos no plano. Ainda não temos uma meta de redução. Estamos desenhando um programa para incentivar nossos colaboradores a apresentarem propostas que levem a redução de custos e ganhos de eficiência. Esperamos que centenas de pessoas apresentem ideias que podem levar apequenas reduções. Se efetivadas, o somatório dará um valor significativo.

Mas essa cultura já não estava implantada na empresa?
Não, porque não tinham ocorrido iniciativas desse tipo. Havia ações de forma geral, envolvendo redução do número de empregados e terceirizados. Redução de custos não significa apenas demissão de pessoas.
A companhia vetou o nome de Carlos Victor Guerra para o cargo de gerente executivo de Inteligência e

Segurança Corporativa. O que houve?
Já explicamos. É engraçado. É só porque ele é amigo do presidente Jair Bolso na roques urgiu toda ess aceleuma. Todo mundo que é indicado aqui para um cargo sofre um processo de checagem. Então, ele fez e não passou porque não tinha experiência gerencial. Isso é uma comprovação de que a governança aqui é forte.

Isso não seria critério básico?
Nas Forças Armadas, um tenente não pode pular direto para general. Aqui existe uma obrigação de que a pessoa tem que ter passado um período em cargo gerencial.

E na diretoria executiva há cargos abertos?
Na área de Gás, já tem uma indicação. Pretendemos acabar com a diretoria de Estratégia. Talvez fiquem seis diretorias ou eu crie uma nova diretoria, que está sendo estudada.

Qual seria a nova diretoria?
Seria a diretoria de Relações Institucionais, porque a Petrobras, como empresa regulada e estatal, tem muita relação com governos, Poder Legislativo, Judiciário e órgãos de controle. Temos pessoas que exercem essas funções, mas é fragmentado. Então, queremos ter uma linha de pensamento e centralização. Essa área também ficará responsável pelo relacionamento com comunidades, próximo a locais onde temos operações.

Como estão as negociações sobre a cessão onerosa?
O importante é que o leilão (do excedente da cessão onerosa) seja realizado. E o que o governo nos der pelo contrato (da cessão onerosa), vamos devolver entrando no leilão. Sai de um bolso e entra no outro. Todas as opções estão na mesa. A meta é chegarmos a um acordo até o fim do mês.

A Petrobras pode receber menos de US$ 14 bilhões?
Não sei.

Mas esse pagamento à Petrobras pode romper o teto de gastos do governo?
É uma das questões em discussão: como evitar que o governo rompa o teto de gastos. Mas é importante a Petrobras participar do leilão. As empresas estrangeiras não têm experiência no pré-sal. Todas vêm aqui conversar. Somos a noiva do leilão. Todo mundo quer casar com a gente.

A empresa virou a página da corrupção? Por quanto tempo vai carregar essa conta?
A venda de Pasadena simbolizou isso. (Vai carregar a conta) por um longo período. O principal já foi resolvido, mas sobram pendências.

O senhor sempre foi defensor da privatização da Petrobras. Agora, no comando da estatal, sua opinião mudou?
Não mudou. Simplesmente, antes eu era só um economista. Hoje, sou executivo. E a determinação do presidente da República que foi eleito pelo povo é que eu tenho liberdade de ação, menos para privatizar a companhia.
“Minha ideia é ficar com menos de 50% do refino. Estamos estruturando como fazer. Não adianta transferir o poder do mercado da Petrobras para a iniciativa privada”
“É preciso fazer economia em tudo. Um dólar é sempre um dólar. Antes de gastar, é preciso ver o que aquele dólar vai me trazer de bom”
“É importante a Petrobras participar do leilão. As empresas estrangeiras não têm experiência no pré-sal. Somos a noiva do leilão. Todo mundo quer casar com a gente”

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