Empresa da Cosan desbanca operadora da Vale e fica com trecho da ferrovia Norte-Sul

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A Rumo S. A., que tem a sucroenergética Cosan como principal acionista, bateu a VLI, operadora logística da Vale, da Mitsui e da Brookfield, e ficou com trecho da Ferrovia Norte-Sul (FNS) em leilão na tarde de quinta-feira (28/03).

Com 1.537 quilômetros, o trecho liga Estrela d’Oeste (SP) a Porto Nacional (TO) e, quando estiver 100% em operação, poderá transportar demanda equivalente a 22,73 milhões de toneladas.
Esse volume representa pouco mais de 10% de toda a safra de grãos 2018/19 que, segundo a Conab, do Ministério da Agricultura, deve alcançar 233,3 milhões de toneladas em projeção do começo de março.
Pela importância do trecho, a Rumo S. A. ofertou R$ 2,719 bilhões, em ágio de 101% ante o valor mínimo de outorga, de R$ 1,353 bilhão.

Já a VLI ofertou R$ 2,065 bilhões.

O prazo de concessão é de 30 anos e a previsão de investimento é de R$ 2,8 bilhões.
Com o negócio, a empresa controlada pela Cosan amplia sua base logística. O trecho adquirido nessa quinta-feira liga Porto Nacional (TO) a Estrela D’Oeste (SP), de onde parte outro lote já administrado pela própria Rumo, interligando o interior paulista ao Porto de Santos (SP).

A partir de Porto Nacional, a Rumo poderá também alcançar o Porto de São Luís (MA), se obtiver acordo com a VLI, que opera o trecho da ferrovia que liga o porto até Porto Nacional.
Para a Reuters, o presidente da Rumo, Júlio Fontana, afirmou que os trechos combinados permitirão ampliar a matriz ferroviária para dar vazão a um maior volume da produção agrícola do Centro-Oeste do país, hoje feita sobretudo por estradas.
"Mas poderemos transportar também combustíveis e bauxita”, disse Fontana para a Reuters após o resultado do leilão.

Mais sobre o leilão do trecho, com informações da Agência Brasil:
A concessionária deverá prestar serviço de transporte ferroviário e assegurar a manutenção da estrutura. Além disso, ela também deverá implantar planos ambientais, oficinas de manutenção e postos de abastecimento e na aquisição de equipamentos ferroviários e material rodante.

O presidente da concessionária, Júlio Fontana Neto, afirmou que pretende tornar a ferrovia operacional antes do prazo estipulado pelo edital, que é de dois anos. "Temos que cumprir o cronograma do edital, em dois anos com a ferrovia rodando, e esperamos fazer isso o mais rapidamente possível, para gerar caixa o mais rapidamente possível também”.
A Ferrovia Norte-Sul foi projetada com o objetivo de se tornar uma espécie de espinha dorsal do transporte ferroviário brasileiro. As obras de construção da ferrovia foram iniciadas em 1987. O trecho entre Açailândia, no Maranhão, e Anápolis, em Goiás, com cerca de 1.550 quilômetros, está pronto para uso. Já o trecho entre Ouro Verde, em Goiás, e Estrela d’Oeste, de 682 quilômetros, está com as obras em andamento.

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