Mudança na produção mundial do petróleo ameniza choques de crises no Oriente Médio

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Fonte: O Globo

A História mostra que o preço do petróleo sempre foi extremamente sensível a crises no Oriente Médio. No passado, qualquer movimento geopolítico na região era suficiente para gerar aumentos repentinos na cotação da commodity, capazes de gerar uma turbulência global. O cenário, no entanto, mudou.
As alterações da matriz energética mundial e o surgimento de grandes produtores, como Brasil, Rússia e EUA, diminuíram a duração desses choques e seus desdobramentos na cotação internacional do barril. Ainda não se sabe quais serão os efeitos da atual crise entre Irã e Estados Unidos – desencadeada pelo assassinato, pelos EUA, do general iraniano Qassem Soleimani na sexta-feira – no mercado petroleiro, mas os efeitos podem ser menores do que os registrados no século XX.
Nos últimos dias, a cotação tocou a marca de US$ 70, deixando o cenário incerto. Por outro lado, a maior divisão do mercado de petróleo e o surgimento de novas formas de produção fizeram com que ataques, como o da refinaria da petroleira saudita Saudi Aramco, em setembro de 2019, não tivessem o efeito esperado de uma nova “crise do petróleo”.
Na década de 70, com a Guerra de Yom Kippur, a revolução islâmica no Irã e ações do cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), os preços do barril aumentaram de US$ 3 para US$ 40. Um choque de mais de 1.000% em um cenário no qual países árabes membros da Opep estabeleciam cotas de produção de petróleo, em um esquema de cartel, e vendiam apenas para quem não apoiasse a política israelense no Oriente Médio. Naquela época, o grupo detinha mais da metade de toda a produção mundial.
Anos depois, eventos como o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 e a invasão do Iraque por tropas americanas, em 2003, geraram reflexo na cotação do barril no mercado internacional, mas com uma menor magnitude que outrora. O surgimento de novas formas de produção, por sua vez, reorganizaram o jogo de poder no mercado energético.
Os EUA, historicamente um grande importador de petróleo, tiveram um aumento brutal de produção, com o shale gas (petróleo não convencional), diminuindo a dependência do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, houve aumento de produção de petróleo convencional em outros países, com a descoberta e exploração do pré-sal no Brasil, deixaram as crises menos agudas.
A despeito da diminuição do peso da Opep, hoje em 40%, os membros do grupo ainda possuem uma grande articulação no controle de preços. Em 2008, eles controlaram a produção de petróleo mundial, sob risco de a demanda diminuir em meio à eminente crise global. A estratégia fez com que o preço disparasse, e caísse pela metade logo em seguida após a quebra do banco Lehman Brothers, marco da crise econômica global.
Mais recentemente, em meio a oferta crescente de shale gas, países da Opep aumentaram a produção para reduzir o custo do produto. O objetivo era deixar o custo de produção do gás mais caro que a venda, desestimulando a concorrência americana.
Por isso, apesar de controlarem uma menor parcela da produção, o papel da Opep na manipulação de preços ainda é relevante no mercado internacional. E qualquer previsão para o preço da commoditie é incerta para as próximas semanas.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/economia/mudanca-na-producao-mundial-do-petroleo-ameniza-choques-de-crises-no-oriente-medio-24174831

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