Petroleira tem segunda troca na diretoria em uma semana

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Valor Econômico

A Petrobras informou que o diretor de governança e conformidade, Marcelo Zenkner, deixará o cargo no dia 20 de março. Segundo a estatal, o executivo manifestou a intenção de não renovar o mandato por “razões pessoais”. Ele é o segundo executivo do alto escalão da petroleira a anunciar, em apenas uma semana, a saída da companhia. A ex-diretora de refino e gás Anelise Lara desligou-se da empresa ontem, também alegando motivos pessoais.

Segundo a Petrobras, o processo seletivo para escolha do substituto de Zenkner já está em curso. O futuro diretor será eleito pelo conselho de administração, com base numa lista tríplice de profissionais a serem selecionados por uma empresa de recrutamento.

Em comunicado ao mercado, Zenkner disse que considerava “devidamente cumprida” a sua missão de disseminar a cultura de integridade na Petrobras e que o momento é de novos desafios”. Ele é o terceiro diretor da área de governança e conformidade a deixar o cargo em quatro anos.

Segundo duas fontes que acompanham de perto o assunto, a troca constante na diretoria pode ser explicada, em parte, porque a remuneração oferecida pela companhia não é compatível com a iniciativa privada e com o grau de responsabilidade que envolve a condução da área de conformidade de uma empresa do tamanho e complexidade da Petrobras – que passou desde meados da década passada por uma crise de reputação sem precedentes. Chama a atenção, porém, que dois diretores tenham anunciado a intenção de sair num intervalo de uma semana.

Na semana passada, Anelise Lara alegou que estava se aposentando da estatal, após 35 anos de carreira, numa decisão “pessoal e refletida”. Segundo ela, o desejo é buscar uma nova posição na indústria de óleo e gás que lhe permita dedicação “mais flexível” ao trabalho. O Valor apurou, contudo, que a decisão surpreendeu membros do conselho de administração da petroleira.

Com a saída de Zenkner, a diretoria de governança e conformidade vai para o seu quarto chefe em quatro anos. A diretoria foi criada em 2014, em meio à eclosão dos escândalos de corrupção denunciados e investigados pela Lava-Jato. O primeiro chefe da área, João Adalberto Elek Junior, foi também o mais longevo deles, tendo ocupado o cargo até 2018. O sucessor, Rafael Mendes Gomes, ficou pouco mais de um ano na Petrobras, entre 2018 e 2019, e, agora, é a vez de Zenkner (ex-Promotor no Ministério Público do Estado do Espirito Santo) encerrar um ciclo que teve início em agosto de 2019.

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