REFINARIA DE MATARIPE FOI VENDIDA POR VALOR 34% MAIS BAIXO QUE O PREÇO DE MERCADO

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Bahia Econômica

A RLAM – Refinaria Landulpho Alves, a maior empresa da Bahia, responsável por cerca de 30% da produção industrial do estado, foi vendida ao grupo árabe Mubadala por um valor 34% inferior ao preço estipulado inicialmente e analistas tentam entender os motivos que fizeram a Petrobras aceitar uma oferta menor do que a prevista.

A estatal não vendeu a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, pois propostas apresentadas ficaram aquém da avaliação econômico-financeira da Petrobras, que vai realizar um novo processo competitivo, no entanto, aceitou a proposta de 1,65 bilhão de dólares oferecido pelo fundo árabe, 34% menor que o preço previsto para a venda da RLAM de 2,5 bilhões de dólares.

A refinaria de Mataripe detém 14% da capacidade de refino do país e produz vários itens. Fontes extraoficiais afirmam que o ágio elevado deveu-se a vários fatores, inclusive o momento do mercado, em plena pandemia, a instabilidade da política governamental com acenos do Presidente de que poderia haver intervenção no preço do diesel e o fato da refinaria ser um ativo antigo com mais de 70 anos de produção.

Mas a dúvida permanece, pois a refinaria foi modernizada, produz, entre outros, querosene de aviação, nafta, propeno e é a única refinaria que produz o bunker, óleo combustível para navios com baixo teor de enxofre e cada vez mais procurado pelo mercado. Tudo isso mostraria que a empresa tem potencial para gerar um fluxo de caixa importante no futuro. O portal está em contato com a diretoria da Petrobras para saber as razões da empresa.

Mubadala pode ter fundo americano como sócio na RLAM
Valor Econômico
O Mubadala está assinando sozinho a compra da Refinaria Landulpho Alves (RLAM) e de seus ativos logísticos associados das mãos da Petrobras – mas o valor de US$ 1,65 bilhão não deve sair somente das contas do fundo soberano de Abu Dhabi. Duas pessoas próximas à transação afirmam que o Mubadala desenhou um acordo com a americana Diatoms para a transação, após a assinatura do contrato.
A gestora de fundos estruturados criada por Todd Morley, cofundador da Guggenheim Capital, trabalha principalmente com papéis de dívida de longo prazo em projetos em que a casa atua de alguma forma na operação – para render mais do que os bonds emitidos pelas empresas envolvidas nos projetos.
Morley também está à frente da G2 Investments, criada na mesma lógica de participação direta em projetos e companhias, ao invés de aplicação em fundos intermediadores, para reduzir as taxas no caminho e tentar maximizar retorno. A G2 já tem investimentos diretos em companhias de petróleo e gás e eventualmente também poderia ser veículo do aporte, disse um executivo.
No fim do ano passado, o Mubadala chegou a discutir um consórcio com a gestora de private equity Carlyle, que já é sua sócia na operação da Cepsa (Compañia Española de Petroleos). O fundo é controlador da companhia, que é dona de refinarias, e o Carlyle tem 37% do negócio. No Brasil, a Cepsa tem ativos na Bahia – é controladora do complexo petroquímico Deten, maior produtor de alquilbenzeno linear da América Latina, matéria-prima utilizada na fabricação de detergentes líquidos e em pó. Na área de exploração, tem dois blocos offshore na bacia do Ceará. Mas o comitê de investimentos do Carlyle acabou não dando aval para o negócio.
A Petrobras ficou “muito satisfeita” com o preço da venda, conforme um executivo ligado à estatal, já que a RLAM era sua refinaria mais velha. O Citi assessorou a Petrobras e o Lazard assessorou o Mubadala.

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