Correio da Bahia
Especialista destaca que os golpes estão cada vez mais sofisticados, dificultando a identificação da fraude no momento em que ocorre
As técnicas de fraude têm se tornado cada vez mais sofisticadas, tornando-se praticamente imperceptíveis. A Bahia, inclusive, lidera entre os estados do Nordeste em número de tentativas de fraude, conforme o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian. Nos três primeiros meses deste ano, o estado contabilizou 184.083 ocorrências. Fraudes como o chamado ‘golpe da maquininha’ ganham espaço diante da crescente vulnerabilidade de dados pessoais.
Esse tipo de crime tem assustado consumidores e comerciantes pela sua complexidade e facilidade de execução. De acordo com a Polícia Civil do Paraná (PCPR), os estelionatários que aplicam o ‘golpe da maquininha’ se passam por técnicos responsáveis pela manutenção das máquinas de cartão. Durante a suposta intervenção, eles instalam aplicativos maliciosos capazes de capturar as informações dos cartões utilizados.
“Assim que a vítima inserir o cartão, os dados são corrompidos e enviados ao criminoso via aplicativo. Em compras por aproximação, por exemplo, ocorre um erro que obriga o usuário a inserir o cartão manualmente”, explica a PCPR na cartilha ‘Não Caia Nessa’. Até mesmo a senha digitada pode ser registrada para uso posterior dos golpistas.
Essa fraude lembra golpes antigos, como o ‘chupa-cabra’, que consistia na instalação de dispositivos em caixas eletrônicos para capturar dados e senhas dos usuários.
Bruno Bittar, especialista em cibersegurança, ressalta que, embora outras fraudes tecnológicas existam, o aumento do uso das maquininhas tornou esse golpe mais frequente. As ferramentas utilizadas pelos criminosos são tão avançadas que passam despercebidas.
Segundo Bruno, os fraudadores preferem máquinas que operam com sistema Android. “Eles instalam softwares adulterados para operações de crédito ou débito, ou sistemas adulteradores, que registram a senha digitada no teclado”, detalha.
Por isso, ele recomenda atenção ao realizar pagamentos: “Prefira sempre fazer o pagamento preferencialmente por PIX, digitando a chave, confirmando o valor, tudo de forma manual. A forma de pagamento em dinheiro continua sendo a mais segura, enquanto existir circulação”.
O especialista também destaca que pagamentos por aproximação (NFC) oferecem mais segurança, graças à dupla autenticação, e que cartões virtuais e carteiras digitais auxiliam na proteção contra essas fraudes.
O que fazer caso seja vítima do golpe
Se você sofrer um golpe, o ideal é acionar imediatamente o banco e a Polícia Civil. Informe ao gerente ou ao serviço de atendimento do banco emissor sobre a movimentação suspeita e conteste a cobrança.
Também é fundamental registrar um boletim de ocorrência, presencialmente ou online, reunindo documentos que comprovem a fraude, como extratos e comprovantes.
Se for comerciante, notifique a empresa responsável pela máquina para que seja investigada a origem da adulteração e receba orientações sobre os próximos passos.