Jornal Folha de S. Paulo
CEO do grupo Ultra, Rodrigo Pizzinatto, afirmou nesta quinta-feira (14) que a proposta de revisão das regras de venda de gás de cozinha no Brasil “abre espaço para o crime organizado” e deveria ser rejeitada.
A revisão regulatória está sendo debatida pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e traz de volta propostas que já foram debatidas, mas nunca colocadas em prática, como o fim da exclusividade de marca e o enchimento parcial de botijões.
“A proposta em estudo pela ANP de fim de respeito à marca e enchimento fracionado coloca em risco a segurança da população no segmento de envasado, abrindo espaço para irregularidades e crime or ganizado, como no caso do México”, afirmou Pizzinatto.
Em nota, a ANP diz que ainda não apresentou propostas para a nova regulação, mas que não faz sentido afirmar que alternativas em estudo abririam espaço para a atuação do crime organizado no setor.
O relatório da análise de impacto regulatório que gerou as críticas, diz o órgão, “deixa claro que, no caso de adoção dessas alternativas, as empresas terão que adotar medidas de segurança e rastreabilidade dos botijões, que permitirão não apenas manter, como melhorar a fiscalização, que já é realizada pela ANP”.
O grupo Ultra controla a Ultragaz, que, junto a Super gasbrás, Copagaz, Liquigás e Nacional Gás Butano, soma cerca de 80% das vendas do setor. A redução da concentração é um dos argumentos da ANP para debater a mudança nas regras.
A agência já levantou propostas de enchimento parcial de botijões e de per missão para que empresas encham botijões de outras marcas. Defensores dizem que essa última medida reduziria o preço do botijão, já que elimina o processo de destroca dos vasilhames para que cada empresa encha apenas o de sua marca.
Pizzinatto afirmou que a destroca representa apenas R$0, 50 do preço final do botijão, hoje em R$107, 49, segundo a ANP.
Ele defendeu ainda que a margem das distribuidoras tem se mantido estável nos últimos cinco anos.