Entre 16 maiores petroleiras, só 3 não atuam na distribuição

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Monitor Mercantil

Petrobras está impedida de atuar na distribuição até 2029 devido à privatização da BR realizada durante o governo Bolsonaro.

Levantamento feito pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) mostra que, entre 16 grandes petroleiras analisadas (levando em conta os indicadores de lucro sobre receita e valor de mercado), apenas 3 – Petrobras, Equinor e QatarEnergy – não estão presentes na distribuição.

A estatal brasileira deixou esse mercado em 2019, durante o governo Bolsonaro, quando foi concluída a privatização da BR Distribuidora – que, apesar de privatizada e ter assumido a razão social “Vibra”, permanece utilizando a marca BR em seus postos, conforme previsto na desestatização até 28 de junho de 2029. Em janeiro de 2024, a Petrobras notificou a Vibra que não tem interesse em prorrogar o prazo.

Sem poder participar da distribuição de combustíveis, a Petrobras perde faturamento estratégico – usualmente, os setores de upstream e downstream compensam eventuais perdas provocadas em um ou outro segmento.

O Brasil também perde influência sobre o preço dos derivados fora da refinaria, o que tem impedido que reduções feitas pela estatal cheguem aos consumidores.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ilustram essa distorção: entre janeiro de 2023 e abril de 2025, o preço do diesel nas refinarias da Petrobras caiu 23,9%, enquanto a gasolina recuou 2,2%, e o gás de cozinha, 17%. No mesmo período, porém, ao consumidor final a gasolina subiu 25,5%, o diesel caiu apenas 2,3%, e o gás de cozinha teve redução de somente 0,7%.

A tendência se repetiu entre janeiro de 2023 e início de agosto de 2025: mesmo com reduções de 6,5% na gasolina, 26,6% no diesel e 6,9% no gás de cozinha nas refinarias, os preços ao consumidor mostraram comportamento distinto. Nesse intervalo, a gasolina aumentou 21,1%, enquanto o diesel e o gás caíram apenas 7,4% e 0,6%, respectivamente.

Tabela com presença de petroleiras na distribuição de combustíveis

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) defende que a Petrobras retome sua presença nesse mercado, em linha com a prática adotada pelas principais empresas globais. Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP, reforça que a ausência da estatal na distribuição reduziu a capacidade do país de coordenar o setor e de suavizar os impactos das oscilações internacionais sobre os preços.

O efeito é sentido de forma ampla na economia, já que a alta do combustível repercute diretamente no custo do transporte, dos alimentos e de toda a cadeia produtiva, destaca a FUP.

“O anúncio da volta da Petrobras ao segmento de distribuição de GLP (gás de cozinha) é um importante passo no resgate de uma empresa integrada e capaz de atuar como instrumento de política pública no Brasil”, destaca Mahatma Ramos, diretor do Ineep.

Ele observa, contudo, que devem ser lembradas as amarras contratuais herdadas do governo passado, que não só privatizou ativos estratégicos como barrou a volta da Petrobras ao segmento de distribuição de derivados líquidos até 2029. “São elas que impedem um controle social e democrático mais eficaz da flutuação dos preços dos combustíveis no Brasil”, afirma ele.

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