EIXOS
A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) habilitou o primeiro produtor de etanol dos Estados Unidos para emitir créditos de descarbonização (CBIOs) do programa RenovaBio.
Apesar do uso do biocombustível estrangeiro ser permitido nas regras do programa, este foi o primeiro pedido de certificação de importadores recebido pela agência.
A participação de produtores dos EUA no programa de descarbonização brasileiro tende a ser limitada, dado que os biocombustíveis importados têm uma pegada de carbono maior do que os nacionais e acabam sendo menos competitivos na emissão de CBIOs.
Este é mais um capítulo na guerra tarifária de Donald Trump contra o Brasil. Em abril, na época em que anunciou as primeiras tarifas — ainda 10% para os produtos brasileiros — um relatório do governo estadunidense apontou o RenovaBio como uma barreira comercial.
Outra crítica são as próprias taxas sobre o biocombustível importado. O Brasil aplica uma alíquota de 18% para os parceiros comerciais fora do Mercosul, o que alcança os EUA.
A indústria brasileira vê nos biocombustíveis um dos caminhos com potencial aproximação entre EUA e Brasil nas discussões sobre o tarifaço.
Vale lembrar: a demanda no Brasil está crescendo, impulsionada sobretudo pelo aumento da mistura obrigatória à gasolina, que passou a ser de 30% este mês.
Em tempo, tudo indica que as tarifas dos EUA terão impacto menor que o esperado na economia brasileira. No caso do consumo de diesel, por exemplo, os efeitos serão pequenos, indicam as projeções da EPE.
Armazenamento de carbono. A ANP também aprovou o pedido da produtora de etanol de milho FS para aquisição de dados geocientíficos no poço 2-FSAS-1-MT, na Bacia do Parecis.
Soja, etanol e macaúba. Mesmo diante da revisão de incentivos fiscais nos Estados Unidos, que trouxe incertezas ao setor global de renováveis, Brasil e América Latina devem seguir firmes na atração de investimentos em combustíveis sustentáveis, impulsionados pela disponibilidade de insumos. A avaliação é do diretor sênior comercial para América Latina da Honeywell, Willian Luvazio, em entrevista à agência eixos.
Hidrogênio no Plano Clima. A estratégia do Brasil para o hidrogênio de baixo carbono indicada no Plano Clima foi recebida de forma positiva pelo setor, que vê avanços no reconhecimento da importância do energético na transição. No entanto, é preciso melhorar a integração de políticas setoriais e desenvolvimento de infraestrutura, avaliam associações.