Mercado brasileiro de combustíveis em sobreaviso; e cresce destruição global de infraestrutura

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Em uma medida que visa reforçar o controle do abastecimento de combustíveis no Brasil, a ANP aprovou uma declaração de sobreaviso na quinta-feira (19/3). A decisão ocorreu num dia turbulento para o mercado global, marcado pela ampliação da destruição da infraestrutura energética no Oriente Médio

  • Na prática, a decisão da ANP determina que produtores, distribuidores e importadores compartilhem com a agência dados sobre estoques e movimentações de gasolina e diesel. Além disso, flexibiliza os estoques até o fim de abril, de modo a ampliar o volume disponível para o mercado.  

Em paralelo, a agência vai notificar a Petrobras para que a companhia retome os leilões de diesel e de gasolina deste mês que foram cancelados, e forneça informações sobre importações. 

  • A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse a jornalistas na quarta (18/3) que os leilões foram suspensos para reavaliação de estoques, depois de a companhia ter adiantado entregas nas últimas semanas. 
  • “É da nossa necessidade reavaliar a todo momento o estoque disponível para que a gente não entregue tudo num dia e falte no dia seguinte”, disse.
  • Chambriard também afirmou que a empresa está “fazendo das tripas coração” para ampliar as entregas nas refinarias, com o aumento do fator de utilização. 
  • A executiva confirmou ainda que a inteligência da companhia monitorou seis navios de importação de combustíveis direcionados ao Brasil que foram desviados para outros destinos.
  • Abicom esclareceu que eventuais redirecionamentos logísticos não configuram “desvio” no sentido irregular, mas sim decisões comerciais, no contexto da alta volatilidade do mercado internacional. 

Além do abastecimento, há preocupação com os preços: pesquisas indicam que a cotação média nacional do diesel chegou a R$ 7,17 por litro na semana encerrada em 15 de março, ante R$ 6,06 em 25 de fevereiro, no período pré-guerra.

  • A isenção de impostos e o subsídio anunciados pelo governo para o diesel passaram a valer com a publicação da medida provisória na quinta (12/3).  

E não há sinais de melhora: o petróleo Brent chegou a bater os US$ 119 na quinta (19/3)  e encerrou o dia a a US$ 108,65 o barril. depois que a infraestrutura de produção e refino no Catar, Irã e Arábia Saudita sofreram novas baixas

  • Um ataque iraniano ao complexo de Ras Laffan, no Catar, eliminou 17% da capacidade de gás natural liquefeito da estatal Qatar Energy (Reuters/Valor)
  • Um drone iraniano atingiu uma refinaria saudita no Mar Vermelho, rota de saída alternativa ao fechamento do Estreito de Ormuz. 
  • Parte dos ativos danificados nas últimas horas pertencem à ExxonMobil e à Shell.  (Dow Jones/Valor)
  • O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o campo de gás de South Pars, na fronteira entre o Irã e o Catar. Em paralelo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que os EUA poderão fazer outra liberação das reservas estratégicas de petróleo para manter os preços baixos.

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