Petróleo volta a fechar acima de US$ 90 e mercado se preocupa com suprimento de diesel 

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22/07/2026
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 Folha de S. Paulo 

A cotação do petróleo Brent voltou a fechar acima dos US$ 90 por barril pela primeira vez desde a segunda semana de junho, com preocupações sobre o suprimento de curto prazo após novo fechamento do estreito de Hormuz e ameaças de rebeldes houtis à Arábia Saudita.

O cenário de guerra duradoura, piorado pelo recrudescimento do conflito entre Rússia e Ucrânia, preocupa especialistas. Nesta quarta-feira (21), o banco Goldman Sachs previu que, caso a situação atual perdure, o barril pode bater US$ 120 no quarto trimestre.

O Brent encerrou o pregão a US$ 91,59, alta de 2,66%. O petróleo WTI, negociado em Nova York, terminou o dia cotado a US$ 84,54 por barril, alta de 2,5%.

Os analistas do Goldman Sachs dizem que os principais impulsionadores de alta nos preços são interrupções no transporte em Hormuz e, potencialmente, no Mar Vermelho. Também pesam danos à infraestrutura de energia decorrentes das guerras no Oriente Médio e na Ucrânia.

guerra afeta especialmente o abastecimento de diesel, justamente em um momento de alta na demanda, tanto na Europa quanto no Brasil. Lá, distribuidoras começarão em breve a fazer estoques para o inverno. Aqui, o consumo é puxado pelo transporte da safra agrícola.

O mercado de diesel, diz o Goldman Sachs, tem ‘elevada exposição a paralisações em refinarias na Rússia e no Oriente Médio’. E os estoques europeus, acrescentam os analistas do banco, estão hoje mais baixos do que no início da guerra no Irã.

A escalada recente do preço do petróleo já afeta importadores brasileiros. Segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o preço de paridade importação do diesel S-10 subiu 13% na semana passada, para algo entre R$ 5,21 e R$ 5,42 por litro, dependendo do ponto de entrega.

Acelen, dona da maior refinaria privada brasileira já repassou parte da alta recente, com reajustes em torno de 10% no último dia 16. A Petrobras mantém seus preços inalterados desde o corte de R$ 0,35 por litro no fim de junho, quando o petróleo caía e o governo decidiu retirar parte dos subsídios sobre o combustível.

A estatal vem sendo pressionada por elevada defasagem: o preço médio de venda em suas refinarias está hoje R$ 2,18 por litro abaixo da paridade de importação calculada pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

Isto é, o subsídio de R$ 1,12 por litro em vigor atualmente cobre pouco mais da metade da diferença. No caso de importadores e refinarias privadas, a defasagem média calculada pela Abicom era de R$ 1,88 por litro na abertura do mercado.

Além de elevar os preços, as rupturas na cadeia de fornecimento de diesel podem afetar o suprimento no segundo semestre. No mercado, a avaliação é que já há pedidos suficientes para garantir o mês de agosto, mas ainda não há dados sobre meses seguintes.

‘Não é uma situação tranquila’, diz o professor da PUC-Rio David Zylbersztajn, que foi diretor-geral da ANP. Para ele, a situação na Rússia causa mais riscos do que o conflito no Oriente Médio, já que as refinarias russas são importantes para o suprimento global.

O fechamento do estreito de Hormuz é compensado pelo crescimento da produção de petróleo em outras regiões, como Estados Unidos, Venezuela e até mesmo o Brasil, mas não há muitos substitutos para os combustíveis produzidos nas regiões em conflito.

‘Não se cria refino de uma hora para a outra, nem se muda demanda de uma hora para a outra’, afirma Zylbersztajn.

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