Biocombustível gera economia de R$ 79 por abastecimento e ganha competitividade com nova mistura obrigatória
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Agência Brasil
O preço do etanol hidratado, que é utilizado para abastecer diretamente os veículos, atingiu a maior vantagem competitiva em relação à gasolina comum dos últimos oito anos em São Paulo nesta primeira semana de agosto de 2026. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o combustível renovável fechou cotado em média a R$ 3,70 por litro no estado, enquanto o concorrente fóssil ficou em R$ 6,39 por litro.
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Considerando a diferença técnica de rendimento de 73% entre os dois combustíveis, o valor equivalente do etanol seria de R$ 5,07 por litro. A diferença representa uma economia direta de R$ 1,32 por litro rodado para o motorista.
Na prática, o consumidor que abastece um tanque completo de 60 litros economiza R$ 79,29 a cada parada no posto. Trata-se da segunda maior margem de vantagem observada desde o início do levantamento histórico da agência reguladora, iniciado em 2013.
A competitividade do combustível renovável estende-se por grande parte do território nacional. A pesquisa da ANP apontou viabilidade econômica para o hidratado em todos os municípios pesquisados de São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.
O benefício chega à ponta consumidora onde a cadeia sucroenergética – setor responsável pela produção de açúcar e biocombustíveis – possui logística eficiente e oferta estruturada. Em Mato Grosso, a paridade atingiu 55,0%, gerando uma diferença de R$ 3,06 por litro entre os produtos nas bombas.
Na avaliação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), a vantagem financeira do biocombustível surge em um momento estratégico para o país. O cenário internacional enfrenta volatilidade geopolítica, o que pressiona as cotações do petróleo e impõe riscos de inflação aos países importadores.
O avanço do etanol reduz a vulnerabilidade brasileira a oscilações de oferta no mercado externo. Enquanto os derivados fósseis enfrentam instabilidade no exterior, a produção nacional de biocombustíveis mantém trajetória de crescimento e assegura menor custo ao consumidor.
Para fortalecer essa estratégia energética, o Brasil deu início, em 1º de agosto, ao aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. Regulamentada pela Lei Combustível do Futuro, a porcentagem subiu de 30% para 32%, formato conhecido como mistura E32.
Diferente do etanol hidratado, que é vendido puro nas bombas, o etanol anidro é isento de água e misturado diretamente à gasolina vendida nos postos. A medida busca impulsionar a mobilidade sustentável de baixo carbono e reforçar a autonomia do setor no país.
Em 2025, o mercado brasileiro importou aproximadamente 3,5 bilhões de litros de gasolina para suprir a demanda interna. Estimativas do setor indicam que a nova regra da mistura E32 deve reduzir essa necessidade de importação em até 1 bilhão de litros por ano.
Segundo Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial e Regulação da UNICA, a maior participação do biocombustível fortalece a economia do país. Para o executivo, a substituição do produto fóssil gera emprego, renda e redução nas emissões de gases de efeito estufa.