Etanol tem maior redução no mês e amplia vantagem sobre a gasolina, com indicador de custo-benefício no menor nível da série histórica
ITATIAIA
Os preços médios dos combustíveis voltaram a cair em julho no Brasil, com redução em cinco dos seis produtos acompanhados pelo Monitor de Preços de Combustíveis, realizado pela Veloe em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O maior recuo foi registrado pelo etanol hidratado, que ficou 2,3% mais barato no mês.
Na sequência aparecem o diesel comum, com queda de 2,1%, e o diesel S-10, que recuou 1,8%. As duas versões da gasolina também apresentaram redução. O único combustível a registrar alta foi o gás natural veicular (GNV), cujo preço médio subiu 4% em julho, movimento associado aos reajustes observados na cadeia do gás.
Com isso, os preços médios nacionais ficaram em R$ 6,981 por litro para o diesel S-10, R$ 6,833 para o diesel comum, R$ 6,821 para a gasolina aditivada e R$ 6,693 para a gasolina comum. O etanol hidratado apresentou média de R$ 4,163 por litro, enquanto o GNV chegou a R$ 4,846 por metro cúbico.
O Distrito Federal apresentou o menor preço médio da gasolina comum entre os estados em julho, com R$ 6,319 por litro. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul (R$ 6,364), Minas Gerais (R$ 6,442), Santa Catarina (R$ 6,488) e São Paulo (R$ 6,536).
Na gasolina aditivada, o Distrito Federal também registrou o menor valor médio, de R$ 6,494 por litro. Rio Grande do Sul (R$ 6,540), Minas Gerais (R$ 6,555), Santa Catarina (R$ 6,639) e Paraíba (R$ 6,716) completam a lista dos cinco estados com os menores preços.
Etanol é mais competitivo no Centro-Oeste e Sudeste
O etanol hidratado foi comercializado pelos menores preços médios do país em Mato Grosso, a R$ 3,847 por litro, e São Paulo, a R$ 3,870. Distrito Federal (R$ 4,073) e Mato Grosso do Sul (R$ 4,140) também ficaram abaixo da média nacional de R$ 4,163.
Segundo o levantamento, os valores evidenciam a maior competitividade do biocombustível em estados produtores ou próximos aos principais polos de oferta, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.
Diesel mais barato no Sul
Entre os combustíveis utilizados no transporte de cargas, o Rio Grande do Sul apresentou o menor preço médio do diesel S-10, de R$ 6,506 por litro. Santa Catarina (R$ 6,707), Paraná (R$ 6,734), Goiás (R$ 6,874) e Minas Gerais (R$ 6,931) aparecem na sequência.
No diesel comum, o Paraná registrou a menor média, de R$ 6,353 por litro, seguido por Rio Grande do Sul (R$ 6,419), Goiás (R$ 6,563), Amapá (R$ 6,583) e Minas Gerais (R$ 6,704).
No GNV, os menores preços foram encontrados em Alagoas (R$ 4,271 por metro cúbico), Espírito Santo (R$ 4,406), Bahia (R$ 4,449), Mato Grosso do Sul (R$ 4,461) e Paraná (R$ 4,484).
Diesel ainda acumula forte alta em 2026
Apesar das quedas observadas em julho, os preços dos combustíveis continuam acumulando altas expressivas ao longo de 2026. Até julho, o diesel S-10 registra aumento de 13,0%, enquanto o diesel comum subiu 11,6%.
A gasolina comum acumula alta de 6,6% no ano, e a aditivada, de 6,1%. O GNV avançou 4,3%. O único combustível a apresentar queda no acumulado de 2026 é o etanol hidratado, com retração de 7,0%.
Na comparação com julho de 2025, o diesel S-10 está 13,8% mais caro, enquanto o diesel comum acumula alta de 12,4%. A gasolina comum subiu 6,4% no período, e a aditivada, 5,9%. O GNV apresentou alta de 0,7%.
Mais uma vez, o etanol aparece na contramão, com preço médio 2,2% menor do que há um ano.
De acordo com o levantamento, o comportamento dos preços reflete uma combinação entre a maior oferta doméstica de etanol, a transmissão gradual das cotações internacionais do petróleo para o mercado brasileiro e a retirada parcial de medidas extraordinárias de amortecimento dos preços.
Mesmo com a redução registrada em julho, o mercado continua sujeito às oscilações do petróleo, do câmbio e às tensões geopolíticas internacionais.
Etanol atinge melhor relação de custo desde 2017
Outro destaque do levantamento foi o Indicador de Custo-Benefício Flex, que caiu para 66,7% na média das unidades da Federação. Esse é o menor nível registrado desde o início da série histórica do Monitor de Preços de Combustíveis, em janeiro de 2017.
Como o indicador ficou abaixo do patamar de 70% considerado como referência para a competitividade do etanol, o biocombustível ampliou sua vantagem econômica em relação à gasolina comum.
A maior atratividade é observada principalmente nos estados produtores ou próximos aos principais polos de oferta de etanol, onde os preços tendem a ser mais competitivos.