VALOR ECONÔMICO
Após dois meses sem importar, Petrobras retoma compras externas do combustível e influencia o resultado
Os Estados Unidos se tornaram os maiores fornecedores de diesel ao Brasil em julho, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados nesta quinta-feira (6).
A fatia americana saiu de 38,4% em junho para 65,9% em julho, conforme levantamento da StoneX. A participação Russa no total de diesel importado pelo Brasil saiu de 61,5% em junho para 25,6% em julho.
A Rússia havia se tornado o fornecedor de preferência de diesel ao Brasil pelos preços descontados em relação a outros países, dado que a nação do leste europeu ainda está sob sanções pela guerra na Ucrânia.
Na base anual, o volume de diesel russo importado caiu 62,1% em julho, de 1,01 milhão de metros cúbicos em 2025 para 385,5 mil em igual período de 2026.
Já o volume americano importado pelo Brasil teve uma alta anual de 70,7%, saindo de 578,6 mil metros cúbicos em julho de 2025 para 987,6 mil em igual mês de 2026.
O Brasil produz cerca de 70% da demanda doméstica de diesel, enquanto a fatia atendida por produto importado costuma variar entre 25% a 30%.
O volume total importado de diesel pelo Brasil caiu 12,3% nos primeiros sete meses de 2026 em comparação a igual período do ano anterior.
Na semana passada, a Rússia prolongou a suspensão de exportações de diesel e gasolina até 31 de janeiro. Inicialmente, a medida, implementada em 8 de julho após o país sofrer novos ataques da Ucrânia sobre a infraestrutura de energia, seria até 31 de julho. O objetivo do país europeu é priorizar o abastecimento do mercado doméstico, dadas as restrições da produção nacional.
O diesel americano voltou a ser líder da lista de fornecedores ao Brasil pela primeira vez desde janeiro, segundo Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX. Alguns fatores favorecem esse aumento, como o aumento de importação de diesel pela Petrobras, depois de dois meses sem compras externas, e a suspensão das exportações russas para priorizar o mercado doméstico.
“Desde que a Rússia anunciou o banimento de exportações, em 8 de julho, os compradores já começaram a se organizar para fazer novos contratos, principalmente com empresas americanas. Temos visto um grande aumento do produto americano, tem aumento das filas nos portos brasileiros”, disse Cordeiro.
Segundo Cordeiro, o volume total de diesel importado em julho, de 1,49 milhão, foi o maior mensal de 2026. Para ele, o cenário tem forte contribuição da retomada de importações de diesel por parte da Petrobras.
A estatal, que ficou abril e maio sem trazer produto de fora, tem retomado as compras para compor o estoque por conta da previsão de paradas de manutenção entre agosto e novembro. Três das principais refinarias produtoras de diesel da Petrobras terão trabalhos suspensos de cerca de 30 a 45 dias, conforme informou o Valor na quarta-feira (5).
O volume total importado de diesel pelo Brasil caiu 12,3% nos primeiros sete meses de 2026 em comparação a igual período do ano anterior.
Para o analista da StoneX, a retomada de compras da Petrobras deve aumentar a concorrência por diesel americano e deixar o produto ainda mais caro. A Petrobras, que não compra produto russo, costuma comprar dos Estados Unidos ou Índia.
“Como a perspectiva é de que a Rússia mantenha as exportações suspensas, há empresas que compravam deles e passaram a buscar dos Estados Unidos. Essa maior concorrência do produto americano vai encarecer, enquanto já temos uma margem de refino bem alta em todo o mundo”, disse.