Operação contra o PCC encerra 1,2 mil CNPJs

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 Jornal O Estado de S. Paulo

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Polícia Civil de São Paulo deflagraram, ontem, a terceira fase da Operação Carbono Oculto, que mira a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. Batizada de Operação Bomba Oculta, a ofensiva encerrou cerca de 1,2 mil CNPJs e 228 Inscrições Estaduais. Ao todo, seis postos clandestinos foram lacrados na capital paulista.

A Operação Bomba Oculta deu sequência ao desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, que veio à tona com a Operação Carbono Oculto, que completou um ano ontem. Desde 2019, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revogou a autorização de funcionamento de mais de 10 mil postos de combustíveis.

A Carbono Oculto revelou como os tentáculos do crime organizado penetraram em diferentes etapas da cadeia nacional de combustíveis, da importação e produção à distribuição e revenda. O setor, segundo as investigações, tornou-se um instrumento eficaz para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas.

Na quarta-feira, o Ministério Público de São Paulo denunciou 16 alvos da Operação Carbono Oculto. Eles são acusados de organização criminosa e lavagem de dinheiro em conexão com o PCC.

Segundo a Promotoria, os denunciados teriam integrado, promovido e financiado uma organização criminosa, com divisão de tarefas voltada à prática de crimes como adulteração de combustíveis, falsidade documental, fraude contra o consumidor e crimes fiscais. O grupo também manteria conexão com outras organizações criminosas independentes.

O empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, é apontado como um dos cérebros do esquema e está entre os 16 denunciados. Ele está foragido. Sua defesa informou que não teve acesso aos autos. “Contudo, diante do que foi informado pela mídia, os fatos tratados na denúncia não têm nenhum relacionamento com Roberto. Sua inclusão no processo parece uma infeliz tentativa de gerar repercussão midiática, como já ocorreu anteriormente.”

A Operação Fluxo Oculto, segunda fase da Carbono Oculto, identificou que quatro fundos de investimento suspeitos de integrar um esquema de desvio de nafta ligado ao PCC acumulam patrimônio estimado em R$ 205 milhões. As investigações apontam que o PCC estruturou um esquema de abertura de empresas em diversos Estados para sustentar as fraudes.

Carbono Oculto Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Polícia Civil deflagraram terceira fase da operação

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