Aperto no mercado de petróleo em 2026 aumentará com atraso na retomada dos fluxos do Golfo, diz IEA

IEA vê quedas mais acentuadas do consumo e oferta mundial de petróleo em 2026
11/09/2026
Opep reduz de novo a previsão de crescimento da demanda de petróleo para 2026
11/09/2026
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UOL

(Reuters) – A oferta e a demanda globais de petróleo devem cair mais do que o previsto anteriormente neste ano, afirmou a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em ​inglês) nesta sexta-feira, já que a falta de progressos ​para o fim do conflito no Oriente Médio adia o retorno dos fluxos normais de petróleo do Golfo até 2027 e faz com que os preços dos combustíveis disparem.

A oferta mundial em 2026 deve agora diminuir em 5,7 milhões de barris ​por dia, ou aproximadamente 6%, ⁠informou a IEA, em ​um relatório mensal. Esse valor representa um aumento em relação à queda de ⁠4% prevista anteriormente.

Um aumento nos ataques a petroleiros nas rotas ​marítimas do Oriente Médio contribuiu para que os preços do petróleo bruto se aproximassem dos US$110 por barril nesta semana, pela primeira vez desde maio.

Os produtos refinados tiveram alta ainda ‌mais acentuada, com combustíveis como o diesel atingindo ‌níveis recordes, à medida ​que o conflito no Oriente Médio e entre a Rússia e a Ucrânia prejudica as refinarias de petróleo.

Embora a demanda esteja enfraquecendo sob o peso dos preços altos dos combustíveis, a oferta está caindo ainda mais ‌rapidamente, forçando os estoques a se esgotarem em um ritmo recorde. Os estoques globais caíram 3,1 milhões de bpd em agosto, informou a IEA, atingindo um nível visto pela última vez em 2023.

“Os estoques têm desempenhado, até o momento, um papel crucial no equilíbrio do mercado”, afirmou a IEA.

“Com as reservas diminuindo e o sistema global de refino operando no limite, a necessidade de avanços na resolução do conflito no Oriente Médio — e da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que já está em seu quinto ano — é maior do que nunca para evitar ‌um maior aperto no mercado.”

PRODUÇÃO DA ARÁBIA SAUDITA ATINGE NÍVEL MAIS BAIXO EM MAIS DE TRÊS DÉCADAS

Ataques a instalações energéticas sauditas e um bloqueio dos EUA ao Irã reduziram a produção ​de petróleo do grupo de produtores Opep+, que caiu 1,8 milhão de bpd, para 38,8 milhões de bpd em agosto, segundo o relatório da IEA.

A IEA informou ‌que a oferta de petróleo bruto da Arábia Saudita caiu 2,3 milhões de bpd, para 6 milhões de bpd em agosto, o nível mais baixo em mais de três décadas, após ataques terem interrompido ‌as instalações e as rotas de transporte.

Grupos ‌ligados aos houthis atacaram navios que passavam por Bab el-Mandeb, a refinaria de Jazan e o tráfego marítimo próximo a Yanbu, enquanto milícias apoiadas pelo ⁠Irã no Iraque utilizaram ataques com drones para atingir o complexo de processamento de petróleo de Abqaiq.

Os houthis, alinhados ao Irã, assumiram o controle do porto de Mocha, no Iêmen, na quinta-feira, representando uma ameaça adicional ao tráfego no Mar Vermelho.

DEMANDA CAI MAIS DO QUE ESPERADO, COM RECUPERAÇÃO PREVISTA PARA 2027

A demanda por petróleo também está ​caindo mais do que o esperado, ​em parte devido aos preços recordes dos combustíveis. A demanda mundial por petróleo cairá 2,5 milhões de bpd este ano, informou a IEA, acima da previsão anterior de um declínio de 1,6 milhão de bpd.

Em contrapartida, a Opep, grupo de produtores, ainda espera que a demanda mundial por petróleo cresça este ano, embora tenha reduzido sua previsão pela quinta vez consecutiva na quinta-feira. A Opep prevê um aumento da demanda de 380.000 bpd em 2026.

Ambos as organizações esperam uma recuperação no consumo de combustível no próximo ⁠ano. A IEA prevê que a demanda aumente em 2,6 milhões de bpd em 2027, e a Opep aponta para ​uma expansão semelhante de 2,36 milhões de bpd.

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