Empresa anuncia início de pesquisa sísmica, primeira etapa do processo de exploração
Jornal Folha de S. Paulo
Rio de Janeiro A petroleira norte-americana Chevron dá nesta semana seus primeiros passos na busca por reservas de petróleo na bacia da Foz do Amazonas. A empresa opera nove blocos exploratórios na região, todos adquiridos em leilão em 2025.
É a primeira empresa privada a iniciar atividades exploratórias na bacia após o anúncio de descoberta de petróleo feito pela Petrobras no início de agosto. Além da Chevron, operam blocos na região a também americana Exxon e as brasileiras Brava e Prio.
Em evento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (21), o vice-presidente global de exploração da companhia, Kevin Mclachlan, afirmou que fornecedores estão prestes a iniciar a pesquisa sísmica na região.
Trata-se de uma espécie de ultrassonografia do subsolo, que busca detectar estruturas semelhantes a reservatórios. Os resultados dessa pesquisa indicam as melhores locações para a perfuração de poços exploratórios.
“Eu esperava poder dizer hoje que o primeiro disparo [da pesquisa sísmica] no Amapá já havia ocorrido, mas não sei se isso realmente aconteceu nesta tarde”, afirmou ele, durante debate na feira ROG.E. “Se não acontecer nesta tarde, vai acontecer nos dias seguintes.”
Segundo a SLB, responsável pela sísmica, a pesquisa ocorrerá a cerca de 130 quilômetros do poço Morpho, onde a Petrobras fez a primeira descoberta de petróleo na região. Não é um trabalho exclu- sivo para a Chevron: seus resultados podem ser adquiridos por outras empresas.
O mercado já esperava que a descoberta da Petrobras acelerasse os investimentos privados na região, vista pelo setor como uma grande aposta, já que tem características geológicas similares a grandes descobertas feitas recentemente na Guiana e no Suriname.
“A partir do resultado da Petrobras, as empresas já começam a dar o pontapé inicial na infraestrutura para começar a operar”, disse o secretário de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Wandenberg Pitaluga. “As empresas ao redor [da Petrobras] já começam a se movimentar.”
A bacia da Foz do Amazonas tem hoje 28 blocos com contratos ativos de concessão. A Petrobras opera 11 deles. A Chevron tem nove em parceria com a chinesa CNPC. A Exxon, outros cinco, em parceria com a Petrobras.
A viabilidade da descoberta da Petrobras, porém, depende ainda de uma série de testes adicionais, que incluem a perfuração de novos poços na região. A diretora de exploração e produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, disse que o segundo poço será iniciado apenas em 2027.
“Morpho teve uma grata resposta, muito positiva”, disse ela. “Conseguimos licença de mais três poços, vamos conseguir fazer delimitação e verificar a viabilidade. É um ambiente de águas muito profundas, poços muito profundos e vamos precisar dos três poços.”
A Petrobras já identificou que o petróleo da região é leve, tipo que é mais valorizado no mercado por produzir combustíveis com maior valor agregado. Sylvia não quis, porém, adiantar detalhes técnicos sobre a qualidade do petróleo.
Em entrevista à Reuters, a diretora de engenharia, tecnologia e inovação da estatal, Renata Baruzzi, comentou que é um petróleo “de altíssima qualidade”.
A exploração de petróleo na região é questionada por entidades ambientalistas e foi alvo de embate entre a estatal e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). O conflito foi resolvido após intervenção do presidente Lula (PT).
O Amapá aposta na indústria do petróleo como vetor de desenvolvimento e diz que, apesar de ainda incipiente, o investimento do setor já traz oportunidades, tanto na capital Macapá quanto em Oiapoque, base de operações da Petrobras para o bloco 59.
Petróleo despenca e chega a ficar abaixo de US$ 100
O preço do petróleo despencou nesta segunda (21) à medida que investidores esperavam avanços diplomáticos na crise com o Irã devido à reunião das Nações Unidas desta semana e aguardavam uma recuperação parcial nos embarques da Arábia Saudita.
A queda de preços ocorre apesar do confronto entre houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, e as forças da Arábia Saudita ganhar intensidade no fim de semana.
Na mínima do dia, o Brent teve a primeira queda para abaixo de US$ 100 desde 9 de setembro, atingindo US$ 99. A commodity encerrou cotada a US$ 100,02, com queda de 3,71%.