O Globo
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ontem (27) que continua analisando “muito seriamente” a possibilidade de implementar uma proibição às exportações de diesel do seu país para combater os preços elevados, mesmo enquanto outros integrantes de seu governo seguem concentrados em possíveis medidas alternativas.
— Isso muitas vezes pode levar a um pequeno aumento no preço da gasolina para os carros, então estamos analisando isso muito seriamente, podemos fazer isso — disse Trump a um repórter da Fox News neste domingo, enquanto acompanhava a final do torneio de golfe Presidents Cup, perto de Chicago.
A declaração vem um dia depois de o senador republicano Ted Cruz dizer a líderes de refinarias americanas que a Casa Branca deu garantias de que não proibirá as exportações de diesel dos Estados Unidos, segundo fontes a par das conversas reservadas.
Caso a proibição fosse concretizada, a restrição poderia afetar fortemente o Brasil, que importa cerca de 30% do combustível de consome. A principal origem do diesel importado pelo país é da Rússia, seguido dos Estados Unidos, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O Reino Unido é outro grande comprador do óleo americano.
O tema, no entanto, é sensível nos EUA à medida em que se aproximam as eleições parlamentares de novembro no país. Vários parlamentares de estados agrícolas têm pressionado Trump a limitar as exportações americanas de diesel durante o auge da colheita de outono, num momento em que os mercados globais de combustíveis sofrem com a interrupção dos fluxos no estratégico Estreito de Ormuz e com os ataques ucranianos a refinarias russas.
Os Estados Unidos se tornaram o fornecedor de última instância para o mundo, com as exportações de diesel atingindo no mês passado um recorde semanal próximo de 2 milhões de barris por dia.
O diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, vêm analisando, ao longo da última semana, as consequências de uma possível proibição temporária das exportações americanas de diesel, o que reforça a seriedade com que o governo considera a ideia.
Executivos de empresas de petróleo e entidades do setor têm defendido, em vez disso, a suspensão do imposto federal sobre o diesel, argumentando que isso reduziria os preços sem os efeitos negativos de uma proibição às exportações. A proposta, porém, provocou debate interno sobre como suspender o tributo — especialmente com a Câmara dos Representantes em recesso antes das eleições.
O diesel abastece máquinas agrícolas, trens de carga, caminhões e veículos de entrega. Os preços no varejo nos Estados Unidos atingiram um recorde na semana passada e estão em média em cerca de US$ 6,50 por galão, aumentando a preocupação dos eleitores com o custo de vida antes das eleições legislativas de novembro.
O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou na semana passada que o governo está trabalhando com refinarias em restrições voluntárias às exportações como alternativa a uma proibição imposta pelo governo.
Algumas empresas já estão acrescentando salvaguardas contratuais para o caso de uma interrupção dos embarques de diesel ao exterior impedir entregas a compradores estrangeiros, disseram à Bloomberg News na sexta-feira pessoas com conhecimento do assunto.
Caso a proibição seja adotada, a expectativa generalizada é de que os preços do diesel nos Estados Unidos despenquem, pelo menos no curto prazo. Uma interrupção das exportações deixaria aliados dos EUA, entre eles Brasil e Reino Unido, com necessidade urgente de buscar combustível em outros fornecedores.