América Latina busca ampliar refino para reduzir dependência externa, diz executivo da Honeywell

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EIXOS

Em entrevista à agência eixos, o CEO e presidente Latam da Honeywell Technologies, José Fernandes, afirma que a preocupação com a segurança energética tem levado empresas latino-americanas a buscar maior capacidade de produção, inclusive com ganhos de eficiência nas refinarias existentes.

“Esse não é um aspecto que atinge somente Brasil, ele atinge a todos os países na América Latina”.

O movimento ocorre diante das restrições ao suprimento internacional provocadas pelas guerras no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia. 

A ameaça de Donald Trump de interromper as exportações de diesel acrescenta pressão sobre os países que dependem do combustível americano.

Em setembro, os Estados Unidos responderam por 80% do diesel importado pelo Brasil. A concentração aumentou com a redução dos embarques russos, após ataques às refinarias do país.

Fernandes conta que ouviu preocupações semelhantes de representantes da companhia de petróleo do Chile, durante uma visita recente ao país.

Segundo ele, a procura por tecnologias para elevar a produção passou a envolver diretamente os presidentes das empresas. 

Uma parte dessa resposta pode vir do parque já instalado, com novos catalisadores, melhorias nos processos e redução de paradas operacionais.

“A cada 1% que você consegue incrementar a produtividade dessas empresas, isso equivale a milhões de dólares para as empresas”.

Para o executivo, a necessidade de reduzir a exposição às crises internacionais também abre espaço para a América Latina ganhar relevância como fornecedora de petróleo, gás, biocombustíveis e minerais críticos.

“Vemos a América Latina muito bem posicionada para ajudar a aumentar a questão da segurança energética a nível mundial”.

Refino e biorrefino

Fernandes vê a expansão dos combustíveis renováveis como complementar à produção fóssil. 

Na sua avaliação, a diversificação ajuda a atender ao crescimento da demanda e amplia as alternativas de abastecimento.

“Eles vêm para complementar a questão da segurança energética a nível global e dar mais uma opção a diferentes indústrias e cadeias, de ter materiais que são compatíveis com os que existem hoje, só que fabricados de uma outra forma”.

A estratégia abrange os biocombustíveis tradicionais, o coprocessamento de matérias-primas renováveis em refinarias de petróleo e as novas plantas dedicadas a combustíveis avançados.

Entre os projetos brasileiros, o executivo destaca a biorrefinaria da Acelen Renováveis, na Bahia, e a unidade da Petrobras na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), ambas com tecnologia da Honeywell.

A Acelen anunciou em maio de 2026 a decisão final de investimento e um financiamento de US$ 1,5 bilhão para a construção da unidade ao lado da Refinaria de Mataripe.

A previsão é produzir 1 bilhão de litros por ano de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel verde (HVO). Cerca de 90% da produção futura já estava contratada na ocasião, principalmente para compradores dos Estados Unidos e da Europa.

A planta utilizará inicialmente óleo de soja, óleo de cozinha usado e gordura animal. A macaúba será incorporada conforme avançar a produção agrícola.

Na Petrobras, Fernandes cita a aprovação pelo conselho de administração da planta dedicada de combustíveis renováveis na RPBC.

Etanol na próxima etapa do SAF

Depois dos projetos baseados em óleos e gorduras, Fernandes aposta no etanol como a próxima frente de expansão dos combustíveis avançados no país.

“Os próximos projetos que devem avançar com relação a combustíveis renováveis avançados vão ser na cadeia do etanol.”

Segundo ele, a companhia foi selecionada por Petrobras e Summit para fornecer tecnologia de conversão de etanol em SAF. 

A demanda doméstica por SAF será impulsionada pela lei do Combustível do Futuro. A partir de 2027, as companhias aéreas deverão reduzir em 1% suas emissões nas operações domésticas, adotando como um dos meios o combustível sustentável. 

A produção por coprocessamento já começou a abrir esse mercado. A Petrobras anunciou a comercialização de um primeiro lote de SAF com óleo de soja certificado segundo critérios do Corsia.

Para Fernandes, no entanto, o país precisará recorrer a importações enquanto as novas plantas não entram em operação.

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