Estatal diz que achado, no mesmo poço do anterior, mas em região mais profunda, reforça potencial da Foz do amazonas
Jornal Folha de S. Paulo
são Paulo e rio de Janeiro A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (2) uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na Margem Equatorial brasileira, no Amapá.
O achado ocorre no mesmo poço da descoberta anterior, chamado Morpho, mas numa região mais profunda, e já era esperado por especialistas. A estatal diz que continua a perfuração do poço, o primeiro em águas profundas na bacia da Foz do Amazonas.
“A nova descoberta amplia o conhecimento sobre o potencial exploratório da área e fornecerá informações adicionais para a avaliação dos sistemas petrolíferos e do potencial de recursos da Bacia Sedimentar da Foz do Amazonas”, disse a Petrobras em nota.
Em entrevista na tarde desta sexta, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a nova descoberta valoriza a região.
Localizado a cerca de 150 km da costa do Amapá, Morpho é perfurado em uma lâmina d’água -distância entre a superfície e o fundo do mar- de 2.886 metros. A elevada profundidade e as fortes correntes da região são desafios para a perfuração, iniciada há quase um ano.
Magda não quis dar detalhes sobre a profundidade de cada reservatório encontrado, alegando que a empresa tem direito a dois anos de confidencialidade sobre informações do poço. Disse que o petróleo é de boa qualidade, mas também sem maiores detalhes.
Afirmou apenas que é melhor do que o do pré-sal e pode ser o segundo melhor do Brasil, atrás apenas do petróleo de Urucu, operação da Petrobras em meio à floresta amazônica. Trata-se de um óleo bem leve, que produz derivados de alto valor agregado.
A diretoria da Petrobras celebrou a segunda descoberta como confirmação de suas expectativas para a área. Magda disse, no entanto, que ainda são necessários novos estudos para confirmar a viabilidade comercial da região.
“Já podemos dizer que temos uma descoberta a ser desenvolvida? Não, vamos precisar da perfuração de poços de delimitação”, disse, referindo-se a outros três poços que a Petrobras planeja para a região. “Mas, em se confirmando o que vem acontecendo, tudo indica que sim.”
O próprio Morpho ainda não foi concluído. A Petrobras segue fazendo testes na área e espera terminá-los até o fim do mês.
O poço é acompanhado com atenção pela indústria do petróleo, que aposta na descoberta de uma nova fronteira exploratória semelhante à que levou a Guiana a tornar-se produtora de petróleo nos últimos anos.
No fim de outubro, as americanas Exxon e Chevron deram início à atividade exploratória na região, com pesquisa sísmica. A primeira opera 5 concessões na Foz do Amazonas; a segunda, 9.
501 novos blocos
A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) aprovou nesta sexta a delimitação de 501 novos blocos para exploração de petróleo na margem equatorial, mas a oferta ao mercado ainda depende de estudos por outras áreas do governo. Os blocos estão divididos em cinco bacias, incluindo a Foz do Amazonas.
A criação das áreas, diz a ANP, foi possível pelo sucesso do país em negociações para ampliar o limite de suas águas territoriais, o que permitiu o desenho de novos blocos para além das 200 milhas náuticas (370 km) reconhecidas antes de 2025.
Os 501 novos blocos da margem equatorial ocupam uma área de cerca de 380.000 km², o equivalente ao tamanho do Japão. Estão nas bacias da Foz do Amazonas, Pará-maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
Hoje há 51 blocos exploratórios com contratos de concessão ativos na área da margem equatorial. Desses, 29 estão na bacia da Foz do Amazonas. As bacias de Barreirinhas e Potiguar têm 9 cada uma. A do Pará-maranhão tem 5.
Estatal confirma manutenção de refinaria no Paraná e prevê gasto de R$ 800 milhões
A Petrobras disse nesta sexta (2) que inicia a partir de segunda (5) a parada programada de manutenção da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), em Araucária (PR), com gasto de cerca de R$ 800 milhões.
Os serviços estão previstos para ocorrer até a segunda quinzena de novembro.
“Além de preparar a refinaria para um novo ciclo operacional, as intervenções permitirão ganhos de eficiência energética e a implantação de melhorias que contribuem para competitividade e desempenho operacional”, diz o gerente-geral da Repar, Felipe Leonardo Gomes.