Morgan Stanley rebaixa Vibra e Ultrapar após alta de 70% nas ações

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]2O Morgan Stanley rebaixou as recomendações de Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) após uma valorização de cerca de 70% das ações nos últimos 12 meses. O movimento ocorreu mesmo com a revisão para cima das projeções de resultados e dos preços-alvo.

A Vibra passou de overweight, equivalente à compra, para equal-weight, equivalente a neutra. A Ultrapar foi rebaixada de equal-weight para underweight, equivalente à venda. O banco reduziu ainda sua avaliação do setor de distribuição de combustíveis na América Latina de “atrativa” para “em linha”.

Para os analistas, as empresas estão “precificadas à perfeição”. A expansão das margens e os ganhos de participação de mercado ocorreram mais rapidamente do que o esperado, deixando menos espaço para novas surpresas positivas.

Preços-alvo sobem, mas recomendações ficam mais cautelosas

O preço-alvo da Vibra para o fim de 2027 foi elevado para R$ 43, ainda acima da cotação considerada no relatório. Para a Ultrapar, o alvo passou a R$ 36, abaixo do preço de mercado utilizado na análise.

A diferença entre os rebaixamentos e a revisão dos preços-alvo reflete a relação entre fundamentos e cotação. O Morgan Stanley ficou mais otimista com a capacidade estrutural de geração de resultados, mas avalia que o avanço das ações já incorporou boa parte dessa melhora.

Regulação fortaleceu distribuidoras formais

O combate à informalidade favoreceu as grandes distribuidoras. Operadores informais, incluindo participantes que atuavam ilegalmente, perderam mercado, enquanto as empresas formais capturaram volumes e ampliaram margens.

O banco mantém uma visão favorável à agenda regulatória para 2027. Entre as medidas esperadas estão mudanças na tributação estadual do etanol e maior fiscalização da mistura obrigatória de biodiesel.

Esse ambiente contribuiu para elevar as projeções de Ebitda da Vibra e da Ultrapar. A melhora, contudo, já estaria amplamente refletida nas estimativas e nos preços das ações.

Diesel e Petrobras favoreceram resultados de 2026

As distribuidoras foram beneficiadas por condições excepcionais no mercado de diesel. As tensões no Oriente Médio apertaram a oferta global e ampliaram os spreads internacionais do combustível.

No Brasil, a venda de diesel pela Petrobras abaixo da paridade de importação abriu oportunidades de arbitragem. As empresas maiores tiveram vantagens pela capacidade de financiamento e pelas cotas de compra junto à estatal.

Essa combinação fortaleceu os resultados de 2026, sustentando a valorização das ações. O Morgan Stanley espera que parte desses benefícios perca força no próximo ano.

Banco projeta queda dos lucros em 2027

A cautela está concentrada na normalização dos resultados. O banco espera que a Petrobras aumente o preço do diesel até o fim de 2026, reduzindo ou eliminando a oportunidade atual de arbitragem.

Uma melhora do cenário geopolítico poderia comprimir os spreads internacionais e diminuir a diferença entre os preços domésticos e a paridade de importação.

Com essas premissas, o Morgan Stanley projeta queda do lucro por ação das duas companhias em 2027. Os múltiplos atuais são considerados elevados diante do crescimento mais moderado esperado após os resultados excepcionais deste ano.

Vibra mantém preferência relativa sobre Ultrapar

Apesar do rebaixamento, a Vibra continua sendo a preferida do banco entre as duas empresas. O relatório aponta uma relação mais favorável entre os potenciais de alta e de baixa.

A geração de caixa livre e a conclusão da desalavancagem poderiam abrir espaço para dividendos maiores. Ainda assim, o Morgan Stanley considera mais adequado aguardar um preço de entrada mais atraente.

Na Ultrapar, a avaliação é mais cautelosa porque a cotação já incorporaria margens de longo prazo superiores às estimativas do banco. Pressões sobre a rentabilidade da Ipiranga e da Ultragaz aparecem entre os riscos do cenário pessimista.

Os rebaixamentos refletem, portanto, menor potencial de retorno aos preços considerados no relatório, apesar da melhora estrutural reconhecida pelo Morgan Stanley.

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