Valor Econômico
O plano do presidente americano, Donald Trump, de comprar diesel da Rússia reforça o quanto o mercado global do combustível está restrito, dizem especialistas ouvidos pelo Valor. Trump já havia dito recentemente que avaliava suspender as exportações de diesel americano no fim de setembro, o que não se confirmou.
No Brasil, o governo anunciou na sexta-feira (9), a poucas semanas da eleição, um pacote de novas subvenções sobre o diesel importado e a gasolina como forma de atenuar os efeitos dos altos preços do petróleo no mercado doméstico.
Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que a instabilidade decorrente dos conflitos geopolíticos levou o governo a conter as altas dos preços no Brasil. As alíquotas de PIS/Pasep e Cide sobre a gasolina foram zeradas, aumentando a subvenção que já estava aplicada, de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro.
Quanto ao diesel, o governo somou R$ 1,40 por litro para o produto importado, além dos R$ 2,12 que já estavam em vigor. “O objetivo é garantir que as importações continuem viáveis em um momento crítico para o abastecimento”, disse o governo em nota. “O quadro internacional piorou desde as medidas anunciadas em setembro.”
A Petrobras, que atende cerca de 70% do mercado nacional, complementando parte da oferta com importação, ainda não divulgou se irá repassar os novos subsídios aos preços nas refinarias. Na terça-feira (13), o petróleo Brent caiu 0,9%, para US$ 105,69 por barril, sob a perspectiva de que o diesel russo volte aos mercados globais. Segundo a agência Reuters, parlamentares americanos criticaram a possibilidade de que Trump compre produto russo, uma vez que eventual acordo com o Kremlin pode violar restrições do próprio Estados Unidos a importações da Rússia, válidas desde o início da guerra da Ucrânia, em 2022.
Para Felipe Perez, diretor da S&P, o preço do diesel para consumidores americanos está em estado crítico, o que tem levado os EUA a buscar alternativas para amenizar o cenário antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. “Vemos que a situação dos preços altos dos combustíveis nos Estados Unidos está crítica. Há um impacto inflacionário.
Perez reforçou que a capacidade de produção de diesel na Rússia também não deve ser a mesma de antes da guerra com a Ucrânia, uma vez que refinarias do país sofreram fortes ataques ao longo dos quatro anos de conflito.
Sarah Raffoul, analista de derivados de petróleo da Argus em Dubai, acrescenta que a dúvida hoje é a capacidade de entrega da Rússia, uma vez que ataques recorrentes afetaram a capacidade de refino do país e contribuíram para restringir exportações. Embarques para Brasil e Turquia despencaram e, em tese, seriam restabelecidos caso existisse adicional de produção disponível, explicou. “O excedente disponível para exportação é limitado, especialmente com o aumento do consumo à medida que o inverno se aproxima”, disse Raffoul.Para ler esta notícia, clique aqui.