Acionistas da Raízen aprovam plano que divide a companhia

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Empresa vai buscar sócios para a rede de postos da marca Shell. Petroleira vai aportar até R$ 3,5 bi

Jornal O Globo

Os acionistas da Raízen, que opera a marca Shell no Brasil, aprovaram ontem o plano para dividir a empresa em duas: uma será responsável pela distribuição de combustíveis (Raízen SA), enquanto a outra reunirá as operações de etanol, açúcar e bioenergia (Raízen Energia). O processo de recuperação extrajudicial prevê ainda a busca de novos sócios para a rede de postos e um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões. Após o aval dos acionistas, o plano precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração da companhia, que vai se reunir no dia 6 de novembro. A proposta, como já era esperada, prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões pela Shell e de até R$ 500 milhões pela Aguassanta, holding financeira do empresário Rubens Ometto, caso decida participar da operação. Em março, a companhia protocolou o pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 65,1 bilhões. Fazem parte da lista de credores instituições como The Bank of New York Mellon, True e Pentágono. A renegociação extrajudicial da Raízen, formada por uma parceriaentreShelleCosan,éamaior já feita no país.

O plano prevê a capitalização de parte dos créditos detidos pelos credores e a possibilidade de os demais acionistas participarem por meio do direito de preferência. Durante a negociação com os credores, ficou acordada a conversão de 45% da dívida em ações e dos 55% restantes em nova dívida, vencendo entre 2032 e 2035. Após a homologação do aumento de capital, Raízen S.A. e Raízen Energia terão conselhos com sete membros titulares e sete suplentes. Samuel Aguirre foi indicado para presidir o Conselho de Administraçãodaempresaresponsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes, enquanto Julio Cesar de Toledo Piza Neto presidirá o conselho da empresa de etanol, açúcar e bioenergia. Para liderar a empresa de distribuição de combustíveis, foi indicado Lorival Nogueira Luz. Já Geovane Dilkin Consul vai liderar a área de etanol, açúcar e bioenergia. Caso Rubens Ometto participe da operação, será um dos conselheiros nas duas empresas. A homologação da capitalização está prevista para até 18 de dezembro.

Após a conclusão do plano de recuperação extrajudicial, as empresas serão segregadas em companhias abertas, independentes e listadas em bolsa. – O trabalho é fruto da construção conjunta entre todas as partes interessadas e também da disciplina no cumprimento de todos os compromissos assumidos ao longo do processo de reestruturação da companhia. A eleição dos novos conselheiros e a indicação antecipada dos líderes das futuras empresas segregadas trazem previsibilidade e garantem a execução do plano de transformação operacional e financeira – afirma Nelson Gomes, CEO da Raízen S.A.

AUMENTO DE CAPITAL

O plano prevê um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões, por meio da emissão de novas ações. A operação será dividida em três modalidades: emissão de ações ordinárias (ON), que dão direito a voto nas assembleias; ações preferenciais classe B (PNB), que podem oferecer prioridade no recebimento de dividendos; e units, que são pacotes de ações negociados como um único ativo e, neste caso, reunirão uma ação ordinária e uma preferencial classeA(PNA).Cadaaçãoserá emitida por R$ 0,25, enquanto cada unit custará R$ 0,50. Segundo a Raízen, o valor considera que a Cosan não exerceráseudireitodepreferênciana compra de ações PNB. A Raízen pretende iniciar um processo para atrair investidores interessados no negócio de distribuição de combustíveis.

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