EIXOS
O Caderno de Refino e Infraestrutura de Abastecimento do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2036, publicado na terça (3/11) pela Empresa de Pesquisa Energética, indica parte do tamanho do desafio que a Petrobras terá pela frente para conseguir incluir no plano de negócios 2027-2031 a meta de autossuficiência em diesel, prometida pela presidente da estatal, Magda Chambriard, nos últimos meses.
- O PDE aponta que a demanda de diesel A no Brasil vai crescer 19% entre 2026 e 2036.
Os projetos já previstos para o aumento do processamento no país são suficientes para ampliar a produção doméstica em apenas 13% no período, deixando ainda um saldo de importações líquidas do produto de cerca de 51 mil m³/dia em 2036.
Vale ressaltar que o horizonte do PDE vai até 2036, mas o diretor de Processos Industriais, William França, indicou que a estatal se prepara para a autossuficiência no produto até 2030.
- Entre os projetos já incluídos no planejamento atual da estatal estão o Trem 2 da Rnest, o Complexo Boaventura e ampliações no atual parque, que devem ajudar a ampliar a produção de diesel em cerca de 330 mil barris/dia até o final da década.
- Caso o aumento se confirme, já será maior do que o acréscimo que o PDE projeta.
Uma questão que pesa é o nível de utilização dos ativos. A EPE trabalha com fator de utilização de 86% em 2026 (janeiro a maio) e de cerca de 90% a partir de 2033.
- Os índices são menores do que os que têm sido praticados: no terceiro trimestre de 2026, o fator de utilização das refinarias da estatal ficou em 99%.
- A companhia ampliou o fator de utilização das refinarias este ano em meio à crise internacional no suprimento de combustíveis. Mas não está claro se será possível manter esse índice tão alto em longo prazo.
- Nesta cobertura: Petrobras amplia vendas de combustíveis no mercado nacional e bate recorde de exportações no terceiro trimestre.
O plano de negócios da Petrobras, que está em elaboração, indicará quanto da meta de autossuficiência em diesel se traduz em novos investimentos, projetos e prazos. A expectativa é de divulgação entre o final de novembro e o começo de dezembro.
- Hoje a Petrobras fornece mais de 70% do diesel consumido no país.
- A EPE ressalta que a expansão do refino deve ser analisada junto com medidas pelo lado da demanda, como a substituição e a diversificação das fontes de energia.
Logística também é desafio. O PDE alerta que trechos dos oleodutos Opasc, Osbra e Osplan I podem atingir ou se aproximar do limite de capacidade até 2036.
- O estudo aponta ainda que a substituição gradual do S500 pelo S10, menos poluente, exige investimentos em hidrotratamento, hidroconversão e geração de hidrogênio.
Outros derivados. Entretanto, o PDE já indica que a dependência externa cai em quase todos os demais produtos refinados ao longo da próxima década
- O Brasil também pode alcançar a autossuficiência em gasolina no médio prazo, devido a uma queda de 12% na demanda, influenciada por fatores como o maior maior uso de veículos elétricos e o aumento do teor de etanol.
- No querosene de aviação, a dependência, hoje de 16%, deve ser eliminada, com a ampliação da produção nas refinarias nacionais e o mandato de combustível sustentável de aviação (SAF). Já no GLP, as importações caem para cerca de 6% da demanda em 2036.
- Na nafta, a produção deve crescer cerca de 70%, e a dependência, de 54% para 27%.
Não é só no Brasil. O tema da redução da dependência das importações de combustíveis está retornando com força em todo o mundo, dado o aumento da busca por segurança energética em meio aos conflitos geopolíticos.
- A Comissão Europeia lançou na semana passada o primeiro diálogo de alto nível com o setor de refino, para discutir segurança energética, prontidão de defesa e competitividade, diante das interrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio.
- As refinarias da UE respondem por cerca de 70% do querosene e 85% do diesel consumidos no bloco.
- O comissário de Energia, Dan Jørgensen, disse que a Comissão vai trabalhar para aumentar a produção das refinarias europeias e construir, com o setor, um roteiro conjunto para uma transformação do refino alinhada os objetivos de segurança do bloco.