À venda pela Petrobras, Gaspetro é alvo de disputa entre empresas do setor

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13/07/2020
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Fonte: O Globo

A venda de 51% das ações da Petrobras na Gaspetro vem atraindo o interesse de uma série de companhias para atuar no setor de gás. Na última sexta-feira, a estatal informou que o processo de venda da holding que tem participação em 19 companhias de distribuição de gás entrou na chamada fase vinculante. Com a pandemia do coronavírus, a estatal vem apostando na intensificação da venda de ativos.

De acordo com fontes do setor, estão analisando a Gaspetro empresas como Cosan, Naturgy (controladora da Ceg e Ceg Rio) e Ultra (dona do Ipiranga). Também está na disputa a Mitsui – conglomerado japonês que já tem 49% da Gaspetro. Segundo essa mesma fonte, as empresas já atuam no setor de distribuição e comercialização de energia.

O interesse dos acionistas dessas empresas, destacou essa fonte, é o acesso à rede de varejo e clientes industriais, pois são “grupos que atuam em energia, em distribuição e comercialização de energia”. Em 2019, o volume total de gás distribuído pela Gaspetro foi de 29 milhões de metros cúbicos por dia, atendendo a cerca de 500 mil clientes través de uma rede de distribuição de mais de 10 mil quilômetros de gasodutos.

Pelo acordo de acionistas da Petrobras, a Mitsui tem preferência na compra da outra metade da Gaspetro e, por isso, destacou uma fonte, não precisa participar dessa fase. O prazo para a entrega das propostas vinculantes para o processo de compra da Gaspetro termina no dia 31 de agosto.

Uma das demandas dos novos investidores é comprar apenas parte da rede da Gaspetro, de forma regional, como foi feito com as refinarias. Mas, segundo a fonte, essa possibilidade ainda está “em aberta”.

Segundo a estatal, “os potenciais compradores classificados para essa fase receberão carta-convite com instruções detalhadas sobre o processo de desinvestimento, incluindo orientações para a realização de due diligence e para o envio das propostas vinculantes”. No início deste ano, a Petrobras, segundo fontes, chegou a avaliar a venda das ações da Gaspetro na Bolsa de Valores.

Segundo uma fonte, havia uma expectativa de que os chineses da Beijin Gas também pudessem participar do negócio, mas a avaliação é que “os chineses estão em um momento mais retraído em relação ao Brasil”.

Há duas semanas o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que a Mitsui tem o direito de preferência e o pode exercer ou não. Mas, segundo o executivo, até aquele momento a japonesa não tinha se manifestado a respeito. Ele disse que esperar concluir o processo de venda da participação da estatal na Gaspetro até o fim do ano.

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“Vamos definir o vencedor, então quem apresentar a melhor proposta leva. Isso demanda algum tempo para a assinatura do contrato de compra e venda e finalmente para o fechamento da operação. É possível que até o fim do ano tenhamos definido já essa questão e fechada a transação, mas não tenho certeza que isso vai acontecer”, afirmou Castello Branco na ocasião.

A venda da Gaspetro faz parte do acordo da Petrobras feito com o Cade, que regula a concorrência no Brasil, que prevê a venda de todos os seus ativos no transporte e distribuição de gás da estatal até 2021. O objetivo é abrir o mercado brasileiro de gás e atrair novos investidores.

A estatal também está vendendo sua participação de 51% que a Petrobras detém na TBG (Transportadora Brasileira do Gasoduto Bolívia-Brasil), dona do Gasbol, o Gasoduto Bolívia-Brasil. Mas as divergências entre a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) em relação às tarifas de transporte do gás natural estão dificultando o processo de venda.

A estatal ainda está em processo de venda dos 10% remanescentes na rede de gasodutos TAG, que passa por Espírito Santo, região Nordeste e Amazonas e é controlado hoje pelo consórcio formado por Engie e CDPQ.

Além disso, a estatal também vai se desfazer dos 10% adicionais na NTS, controlada pelo consórcio formado por Brookfield, British Columbia Investment e Itausa, dona de gasodutos no Rio, São Paulo e Minas Gerais. Procuradas, as empresas não comentaram.

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