Colaboração entre Brasil e Índia como resposta às tarifas dos EUA vai incluir energia

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O presidente Lula (PT) e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modiconversaram por telefone na quarta-feira (7/8) sobre as respostas às taxações dos Estados Unidos contra produtos brasileiros e indianos. 

  • A discussão envolveu a avaliação de alternativas para ampliar a integração nos setores de energia e minerais estratégicos

A aproximação ocorre como resposta às ofensivas comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

  • Esta semana, os produtos brasileiros e indianos passam a entrar nos EUA com uma sobretaxa de 50%
  • No caso da Índia, a justificativa para as taxas foi a compra de petróleo da Rússia
  • Vale lembrar: o Brasil também importa derivados de petróleo da Rússia, sobretudo diesel e metanol.

Lula quer uma reação conjunta do Brics à estratégia comercial dos EUA. 

  • A formação original do grupo envolve quatro dos países que estão na mira das taxas de Trump no momento: Brasil, Rússia, Índia e China
  • São também grandes consumidores de energia. A demanda indiana por petróleo cresceu 1 milhão de barris/dia na última década e deve ter uma alta de mais 900 mil barris/dia até 2030, calcula a Rystad Energy. 

A aproximação entre Brasil e Índia no segmento de energia já vem tomando forma nos últimos meses e envolve sobretudo a Petrobras

Além disso, a Petrobras também está avaliando oportunidades na 10ª Rodada de licitação de blocos de óleo e gás na Índia — que será a maior já realizada pelo país asiático, com a oferta de 25 blocos distribuídos por 13 bacias sedimentares.

Em fevereiro, a petroleira brasileira assinou um contrato com a estatal indiana Bharat Petroleum Corporation Limited (BPCL) para exportação de até 6 milhões de barris de petróleo por ano a partir de 2025.

A Petrobras tem ainda memorandos de entendimento com a ONGC (Oil and Natural Gas Corporation), para colaboração em exploração e produção, descarbonização, biocombustíveis e novas energias; e com a Oil India, para identificar oportunidades no offshore indiano.

Petróleo continua em baixa. Os desdobramentos das taxas dos EUA levaram o preço do barril de petróleo a cair na quinta-feira (07/8). O Brent encerrou o dia a US$ 66,43 o barril, queda de 0,68% (US$ 0,46).
 
Descomissionamento. A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (6/8) o projeto de lei 3.261/2024, do deputado Hugo Leal (PSD/RJ), que busca reduzir os custos do descomissionamento offshore e incentivar a indústria naval brasileira.A proposta altera a lei que rege o Repetro-Sped. A ideia é permitir que a extinção do regime tributário seja antecipada, desde que o desmantelamento e a destruição dos bens importados sejam realizados em estaleiros no Brasil.

Opinião: A lição europeia é clara: não existe substituição imediata para estruturas energéticas complexas. E acelerar a transição sem garantir estabilidade técnica, econômica e geopolítica pode ser perigoso, escreve o sócio fundador do escritório LCFC+ Advogados, Tiago Cosenza.

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