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Fonte: Valor Econômico

O mercado brasileiro de gás natural deve sofrer uma queda de até 10% em 2020, puxada pela retração das demandas industrial e do setor elétrico, responsáveis por quase 90% do consumo nacional do produto. A estimativa é da consultoria Roland Berger, que fez um estudo mapeando os desafios que a crise da covid-19 impôs à agenda de abertura do mercado de gás e também as oportunidades que surgiram com o novo panorama.

O principal baque vem da geração termelétrica, que pode reduzir seu consumo de gás em 19% neste ano, segundo as projeções. O acionamento das usinas termelétricas caiu nos últimos meses devido à combinação de forte contração do consumo de eletricidade e de uma hidrologia favorável. Desde o início do período de isolamento social no país, as termelétricas experimentam uma redução média de cerca de 22,5% nos volumes produzidos, aponta a consultoria.

Já para a demanda de gás “não elétrica” (industrial, comercial, automotivo e residencial), espera-se contração de 3,9% em 2020.

A redução do mercado no curto prazo é um dos fatores que podem atrapalhar o andamento da agenda do gás natural, mas não é o único. Todos os elementos considerados essenciais para destravar a demanda reprimida do produto no país – aumento da oferta, redução da participação dominante da Petrobras na cadeia e a expansão da infraestrutura – devem sofrer com a crise.

Do lado da produção, a queda de receita e a pressão por caixa já têm feito com que as companhias reduzam investimentos em exploração e produção (E&P). Além disso, a suspensão temporária dos leilões da ANP adia a entrada de novos agentes produtores. Já em transporte e distribuição, também se espera que as empresas tenham dificuldade para ampliar investimentos na expansão das malhas. Todo esse cenário deve ainda atrasar a contratação de capacidade no gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).

“Mas no médio prazo, o ambiente continua bastante favorável para que essa agenda prospere”, destaca Daniel Martins, um dos responsáveis pelo estudo da Roland Berger. “As produtoras vão precisar ter retorno em portfólio e olharão para outras oportunidades além do petróleo; o BNDES vai tentar resolver, junto com o governo, o problema da infraestrutura; e a Petrobras já anunciou plano de desinvestimento das transportadoras, distribuidoras e termelétricas”.

Na ponta do consumo, o especialista acrescenta que a geração termelétrica continuará necessária para garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro, sobretudo com o avanço das fontes de energia intermitentes na matriz.

Lançado há cerca de um ano pelo governo federal, o programa Novo Mercado de Gás ainda não se materializou no “choque de energia barata” à indústria. Para dar fôlego a essa agenda e colocá-la no centro da retomada econômica pós-covid, o BNDES foi recentemente alçado ao papel de articulador entre os agentes da iniciativa privada. A ideia é que, até julho, a instituição apresente um plano de ação para destravar o mercado de gás.

Na visão do sócio da Roland Berger, Jorge Pereira, o governo demonstra saber da importância do setor para o país, mas precisa concentrar esforços nas frentes de estabilização regulatória e de redução dos riscos ao investidor. “A atuação do BNDES como um articulador desse mercado é condição necessária, mas não suficiente”. Pereira observa que só a União tem capacidade para comandar os principais passos da agenda do gás e para ditar os rumos da política econômica e cambial. “Hoje, a percepção da situação do Brasil por parte dos investidores é de uma insegurança muito grande”.

“O futuro vai ser diferente, mas não necessariamente ruim. Surgiram novas oportunidades: recomposição de portfólio, maior eficiência no setor extrativo, desenvolvimento da cogeração, integração na cadeia. Mas os agentes têm que se preparar para isso”, afirma Pereira.

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