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O balanço das empresas listadas na Bolsa brasileira referente ao período de janeiro a junho de 2025 mostra que a maior parte conseguiu encerrar o semestre no azul, mas uma parcela relevante registrou prejuízo expressivo. A Cosan lidera o ranking, sendo seguida Raízen e Eletrobras, MRV e Casas Bahia.
Segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria, até 18 de agosto, 342 companhias haviam publicado seus números. Destas, 249 mostraram lucro, enquanto 93 apresentaram resultado negativo.
Entre os maiores tombos, os motivos mais frequentes foram dívidas elevadas ou operações que não performaram bem.
A Cosan lidera a lista com prejuízo de R$ 2,73 bilhões, consequência direta de sua alavancagem. A empresa avalia a atração de um novo sócio estratégico para a Raízen.
A Raízen, que faz parte do mesmo grupo, acumulou perdas de R$ 1,84 bilhão. Já a Eletrobras fechou o semestre com R$ 1,68 bilhão no vermelho por conta do aumento nos custos de comercialização de energia. Na construção civil, a MRV reportou prejuízo de R$ 1,17 bilhão, reflexo de ajustes ligados às operações nos Estados Unidos.
No setor de varejo, a Casas Bahia também aparece entre os cinco piores desempenhos. Somando o primeiro e o segundo trimestres, a companhia registrou perda de R$ 963 milhões, número que não considerou a conversão de dívidas em ações aprovada em agosto.
O segundo trimestre, isoladamente, trouxe resultado líquido negativo de R$ 555 milhões, puxado por despesas financeiras que chegaram a R$ 1,1 bilhão. A expectativa do mercado era de uma perda menor, em torno de R$ 464 milhões, segundo a LSEG.
Olhar o impacto dessas perdas em relação ao patrimônio líquido dá uma dimensão ainda maior da situação. A Cosan, por exemplo, queimou 38% do valor dos sócios com o resultado negativo.
A Eletrobras, mesmo com prejuízo de R$ 1,68 bilhão, teve impacto pequeno em proporção ao patrimônio (0,41%).
Os 10 maiores prejuízos entre as empresas da B3 no semestre
Cosan: R$ 2,734 bilhões
Raízen: R$ 1,846 bilhão
Eletrobras: R$ 1,679 bilhão
MRV: R$ 1,171 bilhão
Casas Bahia: R$ 963 milhões
Pet Manguinhos: R$ 923 milhões
Invepar: R$ 880 milhões
CSN: R$ 785 milhões
Comerc: R$ 702 milhões
Auren: R$ 607 milhões
Casas Bahia tem prejuízo menor, mas base de capital encolhe
Já a Casas Bahia, apesar de apresentar o menor prejuízo absoluto desse grupo, viu sua base de capital encolher em 62,3%, o que equivale a quase dois terços do dinheiro dos acionistas. A deterioração não começou agora.
Desde 2020, a Casas Bahia vem acumulando trimestres no vermelho. Decisões de investimento e demora em ajustes estratégicos, como o lançamento da fintech BanQi e a queima acelerada de caixa na pandemia, contribuíram para elevar dívidas e reduzir valor da companhia.
Comparando apenas os segundos trimestres de 2021 a 2025, o prejuízo acumulado é de R$ 872 milhões – ou R$ 1,29 bilhão sem o efeito contábil registrado em 2024. O patrimônio líquido ilustra o estrago: caiu de R$ 6,31 bilhões no fim de junho de 2021 para R$ 1,53 bilhão em junho de 2025, uma retração de 75,6% em cinco anos.
Segundo o CEO Renato Franklin, a conversão de R$ 1,6 bilhão de dívida em ações concluída neste mês deve aliviar a pressão, com efeito mais visível a partir do quarto trimestre. A empresa espera que a redução de 40% no endividamento abra espaço para uma trajetória de recuperação.