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Fonte: Valor Econômico

Distribuidoras de combustíveis têm feito nos últimos dias uma espécie de racionamento de diesel, em suas bases, diante de problemas na compra do biodiesel que é misturado ao derivado fóssil, disseram três fontes do setor. O problema no suprimento já tem afetado postos em diferentes Estados.

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) informou que não tem conhecimento sobre desabastecimento de diesel no mercado até o momento. O Valor apurou junto a distribuidoras que o caso, por ora, não é generalizado, mas que a situação vem se agravando nos últimos dias e deve continuar crítica até o início de julho. Há relatos de racionamento na entrega do derivado em bases do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Distrito Federal, mesmo tendo a ANP reduzido temporariamente, por uma semana, os percentuais obrigatórios de mistura do biodiesel no diesel, de 12% para 10%. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Espírito Santo confirmou, por exemplo, que postos têm recebido apenas parte das encomendas feitas e há casos pontuais de desabastecimento.

As distribuidoras compram o biodiesel por meio de pregões bimestrais. Nessas licitações, são contratados os volumes necessários para 60 dias. Em abril, em meio ao momento mais crítico da queda da demanda por combustíveis no mercado, provocada pelas medidas de isolamento social, houve uma mudança no funcionamento do leilão que ajuda a explicar, em parte, o problema atual

Em meio às incertezas sobre o comportamento da demanda em maio e junho, o 72º leilão de biodiesel foi suspenso. A ANP retomou a licitação ainda em abril, mas, antes disso, mudou as regras da licitação para reduzir, de 95% para 80%, o percentual de biodiesel que as empresas são obrigadas a retirar daquilo que foi contratado, sob pena de multa. Os compromissos valem tanto para distribuidoras quanto produtores.

Segundo duas fontes do setor de distribuição, os produtores de biodiesel se aproveitaram da flexibilização dos percentuais de retirada mínima para entregar menos do que o contratado e, assim, produzir mais óleo de soja – cujos preços subiram no mercado. Acontece que a demanda não se comportou como o esperado. Os volumes de venda de diesel se recuperaram rápido e voltaram este mês aos patamares pré-crise, estressando o suprimento do biocombustível.

As distribuidoras pedem à ANP a extensão do prazo da redução temporária dos percentuais de mistura do biodiesel no diesel, que venceu no início da semana. O setor também alega que parte dos produtores de biodiesel especulou com a flexibilização das regras do leilão e preferiu segurar parte da oferta contratada, para tentar se aproveitar de melhores preços num eventual leilão extraordinário para suprir emergencialmente o mercado – como se confirmou. Os produtores defendem que as distribuidoras subdimensionaram a demanda, em abril.

A BR Distribuidora informou que reforçou sua logística e que não há, até o momento, nenhum cliente desabastecido. A companhia reconhece, porém, que a oferta de biodiesel está “realmente bem estressada” e que vem monitorando e mantendo contato com a ANP. Ipiranga e Raízen não comentaram.

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