Governo precisa entender que ‘os preços dos combustíveis são livres’, diz economista

Diesel: abater ICMS de R$ 1,17 por litro é insuficiente com defasagem de R$ 2,41, diz entidade
20/03/2026
Governo avalia colocar mais etanol na gasolina e isentar biodiesel contra alta do petróleo
20/03/2026
Mostrar tudo

PORTAL R7

Com a ameaça de uma possível greve dos caminhoneiros devido à alta no preço dos combustíveis, o governo federal tenta buscar meios de evitar uma crise. A nova proposta é que os estados e o Distrito Federal zerem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre a importação do diesel até o fim de maio.

A decisão, que será tomada até o dia 28 de março, pode custar cerca de R$ 3 bilhões aos cofres públicos. A Petrobras informou, no entanto, que não houve qualquer alteração em relação às entregas de combustíveis por parte das refinarias e que tudo funciona conforme o planejado.

O economista Miguel Daoud explica que grande parte do combustível é comprada por empresas, que não a estatal, e segue a cotação internacional. Por isso, acaba gerando uma espécie de distorção entre o que a Petrobras diz e o que acontece na realidade e no bolso de empresas e consumidores.

“Elas não podem comprar e tentar concorrer com a Petrobras, que tem caixa suficiente para manter o preço. Então começa a dar esse desequilíbrio. Esse desequilíbrio que elas geram é insatisfação, porque as pessoas não conseguem puxar a vida. O Brasil roda sobre caminhões, e nós estamos vendo aí uma dificuldade muito grande de se manter”, pontua.

Em entrevista ao Conexão Record News desta quinta-feira (19), Daoud aponta que uma continuidade da guerra é prejudicial para a economia devido ao desequilíbrio na oferta, o que causa um retorno gradativo e gera prejuízos que perduram.

“Eu acho que é um momento difícil, que o Brasil precisa ter um apoio. E, hoje, se isso acontecer diante do cenário que nós temos, é grave para todo mundo. Então, essa questão da política do governo, tem que entender o seguinte: os preços dos combustíveis são livres. É como um rio, ele corre para o mar. Então, não tem como se represar isso. O que represa é o bom senso e a coerência daqueles que estão envolvidos nessa realidade, que é muito dura para o Brasil”, finaliza.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *