Preocupação com cotação do barril foi citada pela presidente da Petrobras no momento que a estatal elabora seu plano de negócios para o período de 2026 a 2030. Executiva diz que perfuração do primeiro poço na Margem Equatorial vai levar 5 meses
Jornal O Globo
Magda Chambriard, presidente da Petrobras, classificou o cenário atual do preço do petróleo como desafiador para a indústria. Ela participou da abertura da OTC Brasil, conferência sobre tecnologia offshore, no Centro do Rio. O alerta ocorre em meio à fase final de elaboração do novo plano de negócios da estatal para os anos de 2026 a 2030, que será divulgado no dia 27 de novembro, após a realização da COP30.
– Os desafios aumentam com o cenário de preço do petróleo. É um cenário desafiador para a nossa indústria. É um momento diferente do passado, quando o barril estava acima de US$ 100. Estamos vendo um momento de queda dessa commodity. E esse ambiente exige de todos nós que sejamos cada dia mais eficientes e comprometidos com resultados sustentáveis. A Petrobras tem feito sua parte, revisitado o portfólio e priorizado projetos de maior retorno. Estamos buscando ganhos de produtividade e redução de custos -disse Magda.
O preço do barril, que chegou a superar os US$ 80 no início do ano, vem caindo em meio à preocupação com o excesso de oferta e à retração da demanda. Atualmente, está na faixa de US$ 64.
Ela ressaltou que a busca por competitividade é um esforço conjunto:
-A competitividade não se faz sozinha. É uma construção coletiva, por isso contamos com o arcabouço regulatório e com parceiros que avançam conosco, oferecendo preços competitivos, soluções tecnológicas e eficiência operacional. Sem isso, não vamos chegar a lugar nenhum.
REDUÇÃO DE CUSTOS
O presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, destacou a importância de reduzir custos coma perspectiva de queda no preço do petróleo:
– A redução de custos será um facilitador, especialmente em um cenário em que há preocupação crescente na indústria com 2026 tendo preços mais baixos. Se não houver um trabalho contínuo na redução de custos e no aumento da eficiência, menos projetos conseguirão avançar.
Magda celebrou a licença obtida pela empresa para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial.
– Não há futuro para uma empresa de petróleo sem exploração. Por isso, a reposição de reservas é vital para a nossa empresa. A reposição de reservas tem enorme espaço de Norte a Sul do país. A recente licença para exploração na Margem Equatorial, no estado do Amapá, é um marco importante para a Petrobras, para o Amapá e para o Brasil. Vamos abrindo novas fronteiras para aumentar a produção sustentável do país – destacou ela.
Roberto Ardenghy, diretor executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), destacou a importância de se manter os investimentos na exploração de novas áreas. Ele lembrou que o pré-sal, descoberto em meados da década de 2000, responde por mais de 75% da produção nacional:
– Se não tivéssemos feito a descoberta do pré-sal, seríamos hoje importadores.
Durante a abertura, a presidente da Petrobras disse que pretende elevar investimentos em transição energética:
– Vamos, sim, ser líderes nessa transição energética e vamos entregar tudo conforme o nosso compromisso no Acordo de Paris.
Magda disse que a perfuração do primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, deve demorar cinco meses para ser concluída. Ela lembrou que o pedido feito ao Ibama engloba ainda três outros poços contingentes ao chamado poço pioneiro, que será o primeiro.
– A licença desse poço se restringe a esse poço pioneiro. Quando pedimos a licença lá atrás, solicitamos a perfuração de um poço pioneiro e mais três poços contingentes (auxiliares) -afirmou.
Segundo ela, o objetivo é democratizar o acesso ao petróleo: – O Brasil é um país continental e tem potencial petrolífero do Norte ao Sul, com Pelotas fazendo parte desse esforço. Temos que democratizar o acesso à energia de Norte a Sul.
‘TECNOLOGIA E RESILIÊNCIA’
Ela destacou ainda que a FPSO Almirante Tamandaré, localizada no Campo de Búzios, na camada pré-sal da Bacia de Santos, teve sua capacidade de produção aumentada com base em tecnologia: -Neste momento, a capacidade é de 270 mil barris por dia na Almirante Tamandaré. É uma plataforma com 225 mil barris que está passando para 270 mil barris sem novos investimentos. Isso ocorre em um momento de queda no preço do petróleo. Estamos enfrentando isso com tecnologia e resiliência.
Segundo ela, a Margem Equatorial não freia o investimento na África e ela disse que a estatal ainda estuda investimento na Namíbia.