Petrobras abre disputa por diesel em meio a corrida por estoques

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A Petrobras vai fazer um leilão de diesel nesta quarta-feira (11/3), para entrega do combustíveis em Canoas (RS) em 16 de março, após uma disparada da demanda pelo combustível.

A estatal ainda não repassou às cotações do diesel e da gasolina nas suas refinarias a alta nos preços internacionais desde o início do conflito, há dez dias. Com a concorrência por esses volumes adicionais, a Petrobras pode elevar o preço final de venda, em relação aos valores tabelados e ainda não reajustados. 

Diferentes elos da cadeia estão demandando volumes adicionais, tendo em vista a expectativa de aumento iminente nos preços.      

  • A Petrobras opera por um regime de cotas, em que as distribuidoras têm garantia de acesso a volumes de acordo com a média de retiradas. 
  • Em momentos de choque nos preços, como ocorre agora ou ocorreu após o início da guerra na Ucrânia, é comum o mercado demandar acima das cotas para assegurar compras antes de reajustes   

O cenário gerou problemas comerciais que levaram às reclamações de consumidores sobre dificuldades no fornecimento de combustíveis nos últimos dias. O problema não é falta de produto físico.

  • “Temos visto os principais produtores, como a Petrobras, com estoques regulares e entregas normais, então a gente não está vendo problema de abastecimento”, disse o diretor-geral da ANP, Artur Watt, na terça (10). A ANP trabalha para identificar em qual elo do mercado estão ocorrendo os problemas.

O governo também começou a reagir à crise: o Ministério de Minas e Energia (MME)  criou uma sala de monitoramento do abastecimento. O objetivo é identificar eventuais riscos e coordenar medidas para preservar a segurança e a normalidade do fornecimento.  Já o Ministério da Justiçapediu ao Cade para investigar aumentos nos preços

  • O pedido ocorreu depois que sindicatos de postos de combustíveis de quatro estados e do Distrito Federal afirmarem que as distribuidoras elevaram as cotações.  

Vale lembrar que a estatal não é a única supridora do mercado nacional, que também conta com refinarias privadas. 

  • Questionada sobre reajustes, a Acelen afirma que os preços na Refinaria de Mataripe (BA) “seguem critérios de mercado, que levam em consideração variáveis como custo do petróleo, dólar e frete”.  
  • Além disso, cerca de 30% da demanda é atendida por importadores, que já estão comprando produtos sob as novas condições internacionais. 

E os preços seguem em montanha-russa. Depois de variar mais de US$ 30 no começo da semana, o Brent para maio caiu 11,2% (US$ 11,16) na terça (10) e encerrou o dia a US$ 87,80 o barril.

  • A queda foi motivada por relatos de trânsito marítimo no Estreito de Ormuz, um dos principais gargalos para o suprimento global.  
  • Além disso, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a Marinha norte-americana teria realizado uma escolta de um petroleiro pelo Estreito de Ormuz. A postagem, no entanto, foi apagada logo em seguida e desmentida pela Casa Branca. 
  • Por outro lado, o Irã indicou que se prepara para um eventual confronto com os EUA no estreito

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