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Fonte: Portal Exame

Embora o horizonte se mostre nebuloso para a indústria de petróleo global, cresce o otimismo acerca da possibilidade de um pacote de socorro do governo americano às petroleiras do país. A medida é avaliada como um dos últimos trunfos para evitar novas quedas vertiginosas dos preços e uma falência em massa das empresas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pediu ao seu gabinete a criação de um plano para injetar dinheiro na indústria petrolífera do país. A declaração ocorreu um dia após os contratos futuros de petróleo do WTI operarem no terreno negativo, pela primeira vez na história.

Para especialistas ouvidos pela EXAME, espera-se que o governo americano atue principalmente como garantidor de empréstimos para as petrolíferas, que estão amargando prejuízos significativos, sob o risco de falência em massa.

“O valor de mercado das empresas de shale gas vem caindo há algum tempo. Mas os investidores continuam dando dinheiro para elas e é esperado que Trump e o governo americano apoiem o setor como nunca antes”, afirma Tavi Costa, analista da gestora americana Crescat.

A queda acentuada dos preços do barril de petróleo chega em um momento complicado para a indústria de shale gas americana. Embora a produção dos Estados Unidos tenha disparado na última década, ultrapassando a da Rússia e da Arábia Saudita, o setor utilizou elevados volumes de recursos financeiros de empréstimos, deixando-o vulnerável a uma queda nos preços.

Muitos produtores de shale gas podem sofrer para conseguir novos financiamentos e rolar suas dívidas já existentes. Há algum tempo, a indústria petrolífera dos Estados Unidos carrega o fardo de ser altamente alavancada, com um ponto de equilíbrio de produção (breakeven) em torno de 50 dólares por barril.

Mesmo que grande parte dos pequenos produtores de shale tenha protegido sua produção através de hedge (instrumento financeiro de proteção do ativo) a preços mais altos, um barril abaixo dos 40 dólares torna a situação da indústria americana muito complicada e, no limite, inviável.

Neste sentido, cresce a expectativa de ajuda por parte do governo americano para a sobrevivência de sua tradicional indústria petrolífera, o que traria mais equilíbrio dos preços — uma vez que o país é o maior consumidor e produtor de petróleo do mundo.

“O governo americano vai ter que ajudar dessa vez, do contrário, terá que arcar com muito mais pedidos de seguro-desemprego”, afirma Jan-Jaap Verschoor, analista que trabalha em Londres na consultoria Oil Analytics.

Estoques

Agentes do setor também estão atentos ao aumento exponencial dos estoques de petróleo no mundo. Esse foi o gatilho para a derrocada dos contratos futuros de petróleo na semana passada, uma vez que falta espaço para armazenar o excesso de oferta global.

Nos Estados Unidos, a entrega física dos contratos futuros de petróleo ocorre na cidade de Cushing, em Oklahoma. O local é conhecido como o coração do sistema de armazenamento americano da commodity e serve como uma das referências para os estoques do produto no mundo.

Na última semana, os níveis de armazenagem em Cushing operaram próximos do pico (excluindo as reservas estratégicas do governo americano), com a capacidade de agendamentos totalmente preenchida, o que levou ao pânico no mercado futuro.

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