Ultrapar tem queda de 30% nas vendas de combustíveis devido à pandemia

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Fonte: Valor Econômico

O presidente da Ultrapar, Frederico Curado, afirmou que a distribuidora de combustíveis Ipiranga é o negócio do grupo mais afetado pela pandemia de covid-19 até agora, com recuo de 30% nas vendas de combustíveis desde o início da crise. “A Ipiranga é, sem dúvida, o negócio mais afetado com a contração da atividade econômica”, disse, em teleconferência com analistas.
Nos últimos dias, contudo, a distribuidora já percebeu alguma recuperação do volume vendido, observou Curado. O segmento mais afetado tem sido o ciclo Otto (gasolina e etanol), por causa das restrições de mobilidade urbana, e há pressão mas margens particularmente do etanol. “Estamos prestando suporte à rede de revendedores, tanto com flexibilidade de condições contratuais como indiretamente, ajudando a obter linhas de crédito para capital de giro”, afirmou.
Especificamente no primeiro trimestre, as margens da Ipiranga foram pressionadas pelo efeito negativo da desvalorização do petróleo no estoque da distribuidora. De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores da Ultrapar, a perda de estoques, número que não costuma ser divulgado, chegou a cerca de R$ 100 milhões no intervalo.
“Com a pandemia, vemos até agora uma queda expressiva nos volumes do ciclo Otto e um pouco menos no diesel. Enquanto permanecerem as restrições de movimentação, é provável que os volumes mantenham essa tendência”, disse Pires. O menor volume vendido também deve seguir pressionando as margens da distribuidora.
Conforme o diretor, no início da pandemia, a Ipiranga reduziu as operações de trading, com vistas a “entender melhor o que estava acontecendo [com os preços do petróleo] e avaliar as oportunidades de arbitragem”. Contudo, as importações vêm sendo gradualmente retomadas, para níveis perto dos vistos historicamente, na esteira dos recentes anúncios de aumento de preço pela Petrobras. “As oportunidades de arbitragem melhoraram em relação ao que havia em abril”, comentou.
Embora o resultado da Ipiranga tenha sido afetado de forma importante, Curado disse que todos os negócios do grupo apresentaram um bom desempenho no primeiro trimestre. “Tivemos um bom primeiro trimestre, em linha com as expectativas”, afirmou o executivo.
O executivo lembrou que, até março, o grupo vinha com expectativa positiva para os resultados em 2020, mas com a chegada da covid-19 ao país, optou por retirar as projeções em abril frente às incertezas quanto à evolução da economia.
Desde a última semana de março, contou, o grupo vem atuando de “maneira diligente” em quatro frentes para gestão da crise: saúde e segurança das pessoas, continuidade das operações, suporte a nossas cadeias de valor e ações sociais para combate à pandemia. “Estamos conseguindo atravessar as dificuldades com resiliência e relativo sucesso”.
Os protocolos de segurança adotados pelo Ultra têm se mostrado eficientes, acrescentou o executivo, o que possibilitou a manutenção das operações sem nenhuma interrupção até o momento. “Estamos preservando nossa força de trabalho e não demitimos”, disse.
De acordo com o presidente da Ultrapar, desde o início da crise foram destinados R$ 23 milhões entre ajuda a parceiros de negócio, especialmente na Ipiranga, que somou R$ 14 milhões, e ações sociais de ajuda ao combate da covid-19, que totalizaram R$ 9 milhões.
“Adotamos uma série de ações, especialmente nos Estados onde temos mais atuação. Estamos avaliando mais iniciativas, incluindo uma iniciativa de ‘crowdfunding’ [financiamento coletivo] do BNDES para a frente hospitalar”, disse Curado.

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