Fonte: O Globo
Representantes do setor produtivo se reuniram ontem com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para negociar um consenso em torno da tabela do frete rodoviário, cuja revisão foi suspensa anteontem pelo governo após pressão dos caminhoneiros. Embora sejam contra o tabelamento do serviço, entidades empresariais defendem que o modelo de preços mínimos suspenso deve ser o ponto de partida da negociação com os motoristas, cujos líderes serão recebidos hoje pelo governo.
A nova tabela de frete que havia entrado em vigor na semana passada foi desenvolvida pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, mas o cálculo desagradou a caminhoneiros com preços mais baixos que os da tabela anterior em algumas categorias de carga. Diante da ameaça de uma nova greve como a de maio de 2018, o governo cedeu e suspendeu a tabela. Agora, organizações ligadas a setores como indústria e agropecuária querem que a medida volte à mesa de negociação.
—Fomos assegurados pelo ministro de que ele terá uma reunião com os caminhoneiros, numa tentativa de verificar como se pode confluir para uma solução satisfatória para ambos os lados. E certamente, no curto prazo, a gente vai tentar resolver isso e retornar à tabela da Esalq, que é reconhecida como a mais adequada e que reflete os custos mínimos para o setor — disse Mônica Messenberg, diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que falou em nome do grupo de mais de dez entidades.
A CNI é uma das entidades que questionam no Supremo Tribunal Federal (STF) a constitucionalidade do tabelamento do frete, introduzido pelo acordo que encerrou a paralisação de 2018. A ação será julgada pela Corte no dia 4 de setembro.