Vendas de etanol anidro superam as do hidratado

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Valor Econômico

Movimento é raro na dinâmica do mercado de biocombustíveis

As vendas de etanol anidro (aditivo à gasolina) das usinas do Centro-Sul para o mercado interno ocorridas na primeira quinzena de janeiro superaram em volume as do etanol hidratado (que compete com o combustível fóssil), num movimento raro na dinâmica do mercado de biocombustíveis.
Os dados da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgados ontem mostram que o volume de etanol anidro vendido pelas usinas do Centro-Sul foi 6,6% maior que o de hidratado na primeira metade do mês. Enquanto as vendas de anidro somaram 453,7 milhões de litros, as de hidratado ficaram em 425,2 milhões de litros. O motivo foi a baixa liquidez do mercado de etanol hidratado, afetado pela prorrogação da desoneração de impostos federais.
Segundo Martinho Ono, diretor da SCA Trading, os postos e as distribuidoras anteciparam compras de combustíveis em dezembro com a expectativa de que, a partir de 1º de janeiro, a desoneração acabasse e eles pudessem vender o produto comprado anteriormente, sem imposto, e aproveitar a alta de preços para ganhar margem. Porém, a medida provisória 1157/2023, que prorrogou a isenção de PIS/Cofins e Cide, frustrou esses planos.
“Com o estoque elevado nas distribuidoras e nos postos, ficamos com uma liquidez baixa. A primeira semana foi praticamente sem negócios, porque todo mundo estava abastecido”, diz.
Sem o diferencial tributário e em época de entressafra, o etanol hidratado continua sem nenhuma competitividade nas bombas em relação à gasolina, o que vem mantendo os motoristas de carro flex pouco interessados no renovável.

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