A Opep+ negou na terça-feira (30/9) as reportagens que circularam na imprensa internacional nos últimos dias sobre uma suposta decisão do cartel de ampliar novamente a produção de petróleo.
- Em nota publicada nas redes sociais, o grupo afirmou que as informações são “totalmente imprecisas e enganosas” e que as discussões sobre o tema ainda não começaram.
Os oito principais produtores do grupo têm reunião marcada para o domingo (5/10). São eles: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
- Foram justamente esses países que concordaram em setembro com um aumento de 137 mil barris/dia na produção e que se reúnem novamente no começo de outubro para reavaliar as condições do mercado.
- A decisão no mês passado marcou uma mudança na estratégia do grupo, que passou a adotar uma postura mais ofensiva para ganhar market share. Para relembrar: Opep+ passa a jogar no ataque para defender participação de mercado
A indicação de que a Opep+ poderia ampliar novamente a produção com a oferta extra de cerca de 500 mil barris/dia de petróleo — o que o grupo nega — ajudou a pressionar o preço do barril de petróleo nos últimos dias.
- Mesmo com o anúncio do cartel de que a decisão ainda não foi tomada, as cotações da commodity caíram na terça (30).
- O Brent para dezembro recuou 1,58% (US$ 1,06), a US$ 66,03 o barril.
Também contribui para o alívio nas cotações do barril a proposta dos Estados Unidos para um cessar-fogo na Faixa de Gaza, conforme um plano divulgado pelo presidente Donald Trump na segunda (29).
Mas a retração pode ser passageira: segundo a Rystad Energy, o preço do petróleo tende a seguir sob influência das tensões geopolíticas globais.
- A consultoria ressalta que o cenário internacional segue repleto de incertezas, com a intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia nas últimas semanas e as pressões dos EUA para que a Europa reduza as importações de óleo e gás russos.
- A própria Rússia anunciou na terça que vai ampliar as restrições à exportação de gasolina e diesel, depois dos ataques ucranianos à infraestrutura do país.
- “A decisão tomada por Moscou, ainda que direcionada para pequenos exportadores, gera uma escalada dos receios entre os investidores em relação à capacidade da Rússia de manter os fluxos de diesel para outras regiões do globo, gerando expectativas de um balanço global de curto prazo mais apertado”, explica o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro.
Rota alternativa pelo Ártico. A Rússia está intensificando a utilização da Rota Marítima do Norte como alternativa estratégica ao Canal de Suez e forma de driblar sanções ocidentais. O corredor com cerca de seis mil quilômetros acompanha a costa ártica russa e tem sido essencial para o escoamento de petróleo, gás natural liquefeito (GNL) e outros combustíveis fósseis em direção à China e, em menor escala, à Europa.