Hidrogênio verde será o combustível do futuro? 

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Elemento mais abundante do universo é aposta da transição energética.

 G1.Globo 

Primeiro, vamos entender o que é o chamado hidrogênio verde.

O hidrogênio é o elemento mais abundante do universo, mas está sempre combinado com outro elemento, como na água. A fórmula HO é formada por duas partículas de hidrogênio e uma de oxigênio.

Para utilizá-lo de forma isolada, é preciso separá-lo, e isso é feito por um processo chamado eletrólise – uma corrente elétrica divide o hidrogênio do oxigênio.

Essa tecnologia não é nova. O hidrogênio, inclusive, ajudou a levar o homem à Lua. Ele foi um dos combustíveis usados pela Nasa nos foguetes do programa Apollo.

Hoje, de acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), a maior parte da produção mundial de hidrogênio ainda vem do gás natural, um combustível fóssil.

Agora, no contexto da transição energética, que é a substituição gradual do combustível fóssil para fontes de energia limpa, o hidrogênio verde se tornou uma grande aposta.

E como ele é produzido? O método é o mesmo: a eletrólise. A diferença é que, quando a eletricidade usada nesse processo vem de fontes renováveis, como a solar ou a eólica, o resultado é o hidrogênio verde, por ser produzido com baixíssima emissão de carbono.

Matriz elétrica pode colocar Brasil entre maiores produtores mundiais

E, neste cenário, o Brasil sai na frente, porque cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é renovável. Um estudo do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), publicado na revista científica Applied Energy, aponta que isso pode colocar o Brasil entre os maiores produtores mundiais de hidrogênio verde.

‘A gente tem uma rede elétrica com um alto teor de renovabilidade, integrando o Brasil de Norte a Sul, com diversidade de fontes, com energia armazenada nos reservatórios das hidrelétricas, com biomassa, hidrelétrica, solar, eólica, tudo integrado num sistema nacional’, explica o pesquisador Carlos Driemeier, que coordenou o estudo.

Muitos investimentos já foram anunciados no país, mas ainda precisam se concretizar. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde, os projetos das empresas associadas somam mais de R$ 63 bilhões em investimentos anunciados e têm como foco a produção de fertilizantes, amônia e metanol.

Em agosto de 2024, o governo federal sancionou a lei que estabeleceu a Política Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono, mas ela ainda precisa de regulamentação, que é aguardada pelo mercado.

Carlos Driemeier também esclarece que já existe um mercado consolidado para o uso de hidrogênio como insumo industrial – na produção de fertilizantes, refino de petróleo, siderurgia, além da produção de combustível sustentável para aviação.

E, de acordo com o pesquisador, o uso do hidrogênio verde nessa cadeia é algo mais próximo da realidade no curto prazo.

hidrogênio verde é ainda uma das apostas para absorver o excesso de energia renovável que acontece hoje em alguns momentos no Brasil, o que tem levado a cortes de geração de energia, o chamado curtailment.

Desafios para ganhar escala

Já o uso do hidrogênio como produto final, por exemplo, como combustível para veículos, enfrenta ainda desafios consideráveis, como:

Altos custos de produção. O hidrogênio é altamente inflamável. Falta de infraestrutura para transporte e armazenamento.

Apesar dos gargalos e desafios, o pesquisador acredita no grande potencial do hidrogênio verde como combustível do futuro.

‘O caminho é longo, porque é um vetor energético que tem um potencial imenso, mas é essas transformações acontecem ao longo de décadas e está só começando’, disse Driemeier.

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